Juiz de Fora vive um dos momentos mais críticos de sua história recente após registrar o mês mais chuvoso desde o início das medições oficiais, em 1961. O volume acumulado em fevereiro de 2026 ultrapassou 740 milímetros, superando o antigo recorde de janeiro de 1985 e colocando a cidade da Zona da Mata mineira em estado de calamidade.
O acumulado representa mais de quatro vezes a média histórica para o mês, que gira em torno de 170 milímetros. A intensidade das chuvas provocou deslizamentos, enxurradas, alagamentos e milhares de famílias afetadas.
Volume acumulado supera recordes históricos
Dados meteorológicos indicam que, até a manhã de 26 de fevereiro, o acumulado já havia ultrapassado 743 milímetros. O número supera o recorde anterior de 715 milímetros registrado em janeiro de 1985.
Em apenas algumas horas entre os dias 23 e 24 de fevereiro, foram registrados mais de 200 milímetros de chuva. O solo já estava saturado por precipitações anteriores, o que agravou o impacto do novo temporal.
Especialistas explicam que o excesso de chuva em curto intervalo de tempo aumenta significativamente o risco de deslizamentos e enchentes, especialmente em cidades com relevo acidentado.
Relevo e corredor de umidade intensificaram tempestades
Juiz de Fora está localizada em um vale cercado por morros e serras. Essa configuração geográfica favorece o confinamento de nuvens carregadas quando sistemas meteorológicos atuam na região.
Durante o período crítico, um corredor de umidade vindo do Norte do país se combinou com uma frente fria estacionada no Sudeste. O relevo montanhoso ajudou a concentrar as instabilidades sobre a cidade, potencializando os temporais.
Meteorologistas apontam que a combinação entre alta umidade, topografia complexa e solo já encharcado criou o cenário ideal para a ocorrência de eventos extremos.
Impactos humanos e estruturais
O excesso de chuva provocou dezenas de mortes e deixou milhares de pessoas desabrigadas e desalojadas em Juiz de Fora e cidades vizinhas da Zona da Mata. Encostas cederam, ruas ficaram completamente alagadas e bairros inteiros foram afetados.
A Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros atuaram em resgates e monitoramento de áreas de risco. Escolas e ginásios foram utilizados como abrigos temporários para famílias que perderam suas casas ou não puderam retornar por segurança.
Grande parte dos deslizamentos ocorreu em regiões previamente mapeadas como vulneráveis, onde há ocupação em encostas e infraestrutura limitada.
Redução da chuva não elimina risco
A previsão meteorológica indica diminuição gradual do volume de chuva nos próximos dias. No entanto, o estado de alerta permanece devido à saturação do solo.
Especialistas destacam que, mesmo com precipitações mais fracas, o risco de novos deslizamentos continua elevado. A drenagem urbana ainda está comprometida em vários pontos da cidade.
O excesso de água acumulado ao longo do mês mantém a instabilidade geológica em áreas de encosta.
Mudanças climáticas e eventos extremos
Projeções climáticas apontam que o Sudeste brasileiro pode enfrentar chuvas mais concentradas e intensas nas próximas décadas. Esse padrão reduz o intervalo entre eventos extremos e aumenta a frequência de episódios semelhantes.
O registro do mês mais chuvoso da história em Juiz de Fora reforça o debate sobre a necessidade de políticas públicas permanentes de prevenção, planejamento urbano e redução de risco.
A cidade enfrenta agora o desafio de reconstruir áreas afetadas e, ao mesmo tempo, fortalecer mecanismos de proteção para evitar que novos recordes de chuva se transformem novamente em tragédia.
