A Justiça da Paraíba condenou o influenciador digital Hítalo José Santos Silva, conhecido como Hytalo Santos, e seu marido, Israel Nata Vicente, apelidado de Euro, por crimes relacionados à exploração sexual e econômica de adolescentes. A sentença, proferida pelo juiz Antônio Rudimacy Firmino de Sousa, da Comarca de Bayeux, determinou que Hytalo cumpra 11 anos e 4 meses de prisão, enquanto Euro foi condenado a 8 anos e 10 meses de reclusão, ambos em regime inicialmente fechado.
Além das penas de prisão, o casal foi condenado ao pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 500 mil.
Segundo a decisão judicial, os crimes ocorreram por meio da produção de conteúdos pornográficos envolvendo adolescentes, em situações que incluíam a exposição dos menores em contexto de risco, com fornecimento de bebidas alcoólicas e negligência quanto à alimentação e escolaridade das vítimas. O magistrado avaliou que os adolescentes eram colocados em um ambiente artificial e controlado, com forte potencial de exploração, o que caracterizou a violação de direitos conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Repercussão nacional em 2025
O caso ganhou grande repercussão nacional em 2025, após denúncias de usuários das redes sociais e de influenciadores que apontaram situações de “adultização” de crianças e adolescentes em vídeos do casal. Antes da condenação, Hytalo e seu marido haviam sido presos preventivamente em agosto de 2025, em São Paulo, durante uma operação que contou com mandados expedidos pela Justiça da Paraíba. A investigação, conduzida pelo Ministério Público estadual, incluiu acusações de tráfico de pessoas, trabalho infantil artístico irregular e produção de material pornográfico envolvendo menores.
A defesa do casal informou que pretende recorrer da sentença, alegando irregularidades no processo e contestando as provas apresentadas durante a instrução. O processo ainda pode ter desdobramentos em instâncias superiores, mesmo após a condenação em primeira instância.
A decisão marca um desdobramento importante em um dos casos mais debatidos no Brasil relacionado à proteção de crianças e adolescentes nas redes sociais, intensificando o debate sobre a responsabilidade de influenciadores e plataformas digitais na proteção de menores.
