Os protestos no Irã, que começaram em 28 de dezembro de 2025, continuam intensos em 10 de janeiro de 2026, entrando em uma fase ainda mais grave de confrontos, apagão digital e escalada da violência. Testemunhas, organizações de direitos humanos e relatos de imprensa apontam para mortes, prisões em massa e sufocamento da comunicação, enquanto milhares de pessoas ocupam as ruas em cidades por todo o país em manifestação contra o regime teocrático.
Bloqueio total de internet e comunicação
O governo iraniano impôs um apagão nacional de internet e telefonia, que já dura mais de 48 horas e limita severamente o acesso de cidadãos e da imprensa às redes e ao mundo exterior. A medida é uma das mais drásticas já adotadas em meio a protestos no país e tem sido descrita como um instrumento de repressão para reduzir a visibilidade internacional das manifestações e controlar a narrativa oficial.
Esse blackout afeta praticamente toda a população e impede a circulação livre de informações, dificultando a verificação independente das ocorrências no terreno e aumentando a sensação de isolamento dos protestantes.
Números atualizados de mortes e prisões
Dados de organizações independentes apontam para pelo menos 65 mortes e mais de 2.300 prisões em todo o país desde o início dos protestos. A magnitude e o ritmo dos confrontos têm gerado subnotificação e crescimento contínuo desses números, sendo que incontáveis feridos estão em hospitais e clínicas, muitos deles com ferimentos graves decorrentes de munição real.
Há relatos de médicos e profissionais de saúde sobre dezenas de vítimas com ferimentos por tiro de munição real, em hospitais lutando para atender a demanda de pacientes em situação crítica.
Escalada do uso de força letal e repressão
Desde as primeiras manifestações, as forças de segurança do Irã passaram a usar munição real, armas de fogo e gás lacrimogêneo contra civis, resultando em confrontos cada vez mais violentos, especialmente em áreas urbanas como Teerã e outras grandes cidades.
Há também registros de ataques a hospitais e tentativas de detenção de feridos, que geraram indignação entre grupos de direitos humanos, que classificam a repressão como crimes contra a humanidade.
Causas profundas dos protestos
O movimento começou como uma reação à grave crise econômica, marcada por:
- Inflação elevada;
- Desvalorização acelerada da moeda nacional (rial);
- Aumento exorbitante no preço de alimentos e itens básicos;
- Redução do poder de compra da população.
Essas condições levaram comerciantes, trabalhadores e jovens a se unirem nas ruas, exigindo melhores condições de vida, reformas políticas e até mesmo mudanças estruturais no governo.
Testemunhos e imagens da resistência
Mesmo com o blackout digital, relatos e imagens filtradas por meio de meios alternativos revelam:
- Cânticos contra a liderança do aiatolá Ali Khamenei;
- Choros por liberdade e fim da repressão;
- Incêndios em carros, agências bancárias e prédios públicos em algumas localidades;
- Jovens, mulheres e homens marchando sob forte presença policial.
Esses atos simbolizam uma mobilização diversificada, com participação de estudantes, trabalhadores, minorias e grupos sociais insatisfeitos com a atual situação do país.
Reação e retórica do governo
Autoridades iranianas têm endurecido o discurso:
- Líderes do regime acusam manifestantes de serem “agentes de potências estrangeiras”;
- Ações legais com possível pena de morte para participantes foram mencionadas por figuras judiciais;
- O supremo líder reforçou que qualquer tentativa de desestabilizar o país será tratada com rigor e força máxima.
Essa narrativa indica a disposição do governo em esmagar os protestos a qualquer custo, mesmo sob risco de intensificar a crise interna e gerar ainda maior repúdio internacional.
Repercussão internacional e tensões externas
A crise tem chamado atenção de governos e líderes estrangeiros. Autoridades dos Estados Unidos e de países europeus expressaram apoio ao povo iraniano e condenaram o uso excessivo da força e o bloqueio de comunicação.
Por outro lado, a retórica oficial do Irã acusa influências externas de instigar o movimento, ampliando a tensão diplomática com nações ocidentais, em especial os Estados Unidos, que afirmaram estar observando atentamente os desdobramentos.
Protestos continuam e cenário é incerto
Com ou sem cobertura plena de mídia, os protestos seguem em várias cidades iranianas, com manifestações noturnas e confrontos constantes. A combinação de repressão estatal, crise econômica profunda, isolamento digital e apoio crescente das elites domésticas ao movimento cria um ambiente imprevisível e potencialmente explosivo.
Especialistas em política internacional afirmam que este pode ser um dos momentos mais críticos da história recente do Irã, com repercussões que podem afetar não apenas a estabilidade interna, mas também as relações geopolíticas na região do Oriente Médio nos próximos meses.
