Telemedicina se apresenta como alternativa para o atendimento de pacientes

Durante a pandemia do novo Coronavírus a modalidade se popularizou; tem sido utilizada como aliada do isolamento social.

O que antes já foi um grande tabu, em tempos de pandemia virou necessidade. A medicina, assim como muitas coisas durante esse período de isolamento social imposto pelo novo Coronavírus, teve que se reinventar. Neste contexto, a telemedicina se apresentou como uma saída para que se evitasse aglomerações em hospitais e um possível contágio pelo vírus. No entanto, embora tenha se apresentado eficaz, ainda há uma série de dúvidas sobre a continuidade deste atendimento médico online.

O vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Donizetti Giamberardino, explica que a telemedicina está regulada pelo CFM desde 2002, mas ainda de uma forma muito incipiente. Com o surgimento inesperado da pandemia, argumenta, a lei que determina o uso da telemedicina para favorecer o distanciamento social pegou todo o exercício profissional de surpresa. “Ainda não há estrutura adequada para o uso desta tecnologia no sentido de segurança de dados dos usuários”, afirma Giamberardino.

De acordo com o médico, a telemedicina está sendo aplicada neste momento em caráter inovador e excepcional, o que não impede que seja mais bem idealizada para o futuro. “Entendemos que ao longo de 2021 vamos fazer uma resolução para que a prática seja mais estruturada, propondo melhor acesso e qualidade à saúde da população”

O vice-presidente do CFM ressalta que a telemedicina é uma nova ferramenta para o atendimento médico e que, se alinhada a políticas públicas eficazes, irá democratizar o acesso à saúde, principalmente para os mais carentes. “A prática irá racionalizar recursos e evitar que as pessoas se desloquem  para acompanhamento e atendimento”. diz. Mas para que isso aconteça, o médico acredita que o governo brasileiro precisa instituir políticas públicas efetivas e integrar a telemedicina à rede SUS.

María das Graças de Souza Almeida, 49 anos, é professora e moradora de São Caetano do Sul. Durante a pandemia ela teve uma crise de asma e precisou do atendimento de telemedicina criado pela prefeitura da sua cidade. “Fui atendida por uma enfermeira que fez a triagem e me pediu o número de telefone para que um médico retornasse. Não demorou nem cinco minutos e a médica retornou”, conta.

A professora ficou tão satisfeita com o atendimento que usou a modalidade uma segunda vez para sua mãe que estava com pressão alta. No entanto, nesta situação a telemedicina não se apresentou tão eficaz e foi necessário encaminhamento para atendimento presencial.

Uma prática comum em casos graves

Cláudio Alves de Albuquerque, 30 anos, é médico oftalmologista e explica que a comunicação informal à distância com o paciente, sobretudo em casos graves, já é uma prática no contexto médico, mas ainda não era legalizada. “No auge do isolamento, a comunicação com as famílias era feita prioritariamente por vídeo chamada. Também atendi pacientes que não queriam se expor e hoje, mantenho consultas que incluem avaliações de pacientes em outros países”.

Para Albuquerque, a telemedicina irá se regularizar e tornar-se uma prática mais comum após pandemia, pois as pessoas desenvolveram o senso de autocuidado e cuidado com o outro. “É importante que cada indivíduo entenda seu papel principal na responsabilidade do seu processo de saúde e adoecimento. Espero que esse momento não seja esquecido pelas pessoas”.

Fernanda Oliveira Ochoa, 37 anos é consultora, mora em Diadema e durante a pandemia teve uma crise alérgica. Pelo aplicativo do seu convênio seguiu as instruções e agendou o atendimento via telemedicina. “O médico diagnosticou e mandou a receita por email, achei ótimo”, afirma.

Já Felipe Sales Mariotto, 40 anos, que atua como médico dermatologista e na medicina do trabalho, conta que a pandemia agilizou  uma discussão já existente em relação à telemedicina e o CFM. “A necessidade e as limitações do momento facilitaram sua implementação”.

Para o dermatologista, alguns dos aspectos positivos da telemedicina são a facilidade de orientação médica a qualquer hora, independentemente da localização do médico e do paciente; a possibilidade de troca de informações entre profissionais da equipe de saúde e o médico, principalmente em localidades onde não há disponibilidade de clínicos gerais e especialistas, como zonas rurais e aldeias indígenas, e o atendimento a viajantes.

Já no que diz respeito aos aspectos limitantes, o médico ressalta a inviabilidade do exame físico do paciente, o que impossibilita inúmeros diagnósticos e terapêuticas; além da perda na relação de confiança médico-paciente em seus aspectos mais humanistas.

No entanto, para Mariotto a telemedicina é uma ferramenta que veio para ficar e deve ser cada vez mais aperfeiçoada. “Se bem utilizada, agrega bastante no leque de opções para a promoção à saúde e acompanhamento de enfermidades crônicas”, completa.

Autor: Adriane Lima.

Fonte: Metodista.