Serviço de streaming cresce entre os brasileiros como forma de entretenimento

De acordo com pesquisa, as plataformas de transmissão conquistaram o segundo lugar na audiência do país.

Com o isolamento social provocado pela Covid 19, os brasileiros se depararam com um novo desafio: encontrar novas formas de entretenimento sem sair de casa. Com isso, o consumo de produtos digitais intensificou 57%, segundo  pesquisa realizada pelo Itaú Cultural com o Datafolha. 

Ainda de acordo com o relatório da Katar Ibope, em junho deste ano o consumo de streaming atingiu 7,0 pontos, o que significa que para cada 100 aparelhos eletrônicos pelo menos 15 consumiam conteúdos em plataformas de streaming. Esse crescimento conquistou o segundo lugar na audiência do país, superando a TV aberta e ficando atrás apenas da TV Globo.

Para o pesquisador de fusão de mídias e professor da Universidade Municipal de São Caetano do Sul, Cido Coelho, isso se deve aos efeitos do vírus que tem afetado as produções audiovisuais. “Neste ano, a quarentena prejudicou as produções das emissoras de televisão, o protocolo inicial era parar tudo até entender o que estava acontecendo. Isso mexeu com a audiência, porque as emissoras não tinham um “estoque” e com isso adotaram a estratégia de reprisar programas e filmes”, explica.

A estudante de direito Marcela Tolotti, 21, moradora de São Bernardo do Campo, conta que durante a pandemia os serviços de streaming serviram como distração para o momento enfrentado. “Com todo mundo em casa, ficamos ligados nas mídias tradicionais e depois de um  tempo todos começaram a enlouquecer e perceber que precisávamos relaxar. Paramos de ouvir rádio e de ver jornais e começamos a procurar mais filmes e séries para nos entreter”.

O engenheiro eletricista Eduardo dos Santos, 25 , morador de Mauá, cancelou os serviços de TV a cabo para ficar apenas nos  serviços de streamings. “Parei de utilizar a TV paga porque o valor era muito alto e eu usava pouco. O streaming é mais atrativo pelo preço acessível, por exemplo, no Amazon Prime eu pago apenas 10 reais para ter acesso a todos os filmes e séries”,  diz.


 Futuro do entretenimento

Com a facilidade de consumir um vasto catálogo de séries e filmes em qualquer lugar e em qualquer hora, especialistas da Digital TV Research destacam  que até 2025 a Netflix terá 48 milhões de assinantes na América Latina, sendo que um terço corresponde ao Brasil. Ainda de acordo com a empresa de tecnologia financeira QR Capital, a receita da plataforma pode ultrapassar a TV Globo até 2022.

Para a gerente de contratos Simone Silva, 48, moradora de Ribeirão Pires, a variedade de conteúdo nos serviços de streaming é o que cada vez atrai mais público. “Você não está preso apenas ao que a TV aberta te oferece. Nas plataformas você consegue buscar assuntos do seu interesse. Se hoje eu quero ver receitas, se quero assistir um filme, uma série, posso pesquisar. Inclusive consigo assistir novelas dos anos 80, época em que eu era adolescente”, explica.

Segundo o pesquisador de fusão de mídias e professor da Universidade Municipal de São Caetano, Cido Coelho, as emissoras devem apostar em conteúdos digitais para combater o crescimento da audiência das plataformas de streaming. “Talvez a estratégia seja cada emissora ter seu serviço para fornecer conteúdo. Essa é uma forma de construir a lealdade do público, porque nem todos ficarão presos a uma grade de programação. Acho que uma  primeira saída é as emissoras de TV adotarem esse serviço, como a Globo já fez com o Globoplay e o SBT com o SBT Vídeos”, afirma.

Autora: Dayara Freire.

Fonte: Metodista.