Refugiados e migrantes debatem novas masculinidades e desconstroem estereótipos para melhor convivência nos abrigos de Roraima

Iniciativa reúne cerca de 30 homens e promove reflexão sobre o impacto da masculinidade tradicional na saúde física e mental desta população.

Por Allana Ferreira.

Luis Zambrano (esquerda), um dos participantes da atividade sobre novas masculinidades em Boa Vista: “posso expressar meus sentimentos, e não serei menos homem por isso”. © ACNUR/Allana Ferreira

O deslocamento forçado gera desafios para quem teve que deixar seu país devido a guerras e conflitos. Crianças, jovens, adultos, idosos, mulheres e homens são afetados de diferentes maneiras, e nem sempre têm tempo para refletir sobre esta nova realidade.

A iniciativa “Novas Masculinidades”, implementada nos abrigos da Operação Acolhida em Boa Vista, capital de Roraima, tem como objetivo a criação de um espaço seguro para que homens refugiados e migrantes reflitam e se expressem sobre os mitos e medos que os cercam, ressignificando alguns conceitos da masculinidade tradicional.

O programa faz parte das ações de sensibilização sobre questões de gênero, que é uma das frentes de atuação do ACNUR (Agência da ONU para Refugiados) junto à população refugiada.

Propondo uma abordagem holística do tema das masculinidades, o projeto trata de questões que vão  desde o entendimento do papel dos homens na sociedade e o peso da responsabilidade em manter sua família, passando por frustrações, autoestima, sonhos, compreensão de outros grupos sociais e o impacto da masculinidade tradicional na vida de cada participante (incluindo saúde física, mental, relações interpessoais e até sua integração no país de acolhimento).

Atividade sobre novas masculinidades reuniu cerca de 30 homens (refugiados e migrantes) abrigados pela Operação Acolhida, além de colaboradores da resposta humanitária em Boa Vista. © ACNUR/Allana Ferreira

IMG_7536O venezuelano Luis Zambrano (esquerda) e Juan, gestor do abrigo Pricumã, onde o refugiado vive temporariamente com sua família e atua como professor de esportes. © ACNUR/Allana Ferreira

Tendo como referência outras iniciativas direcionadas para homens, como a campanha “Valente não é Violento” (implementada pela ONU Mulheres e o Ministério Público), a iniciativa “Novas Masculinidades” é conduzida pelo ACNUR em parceria com o UNFPA (Fundo de População da ONU) e facilitado pela organização parceira AVSI (Associação Voluntários para Serviço Internacional), com o apoio da FFHI (Federação Humanitária Internacional) e FSF (Fraternidade Sem Fronteiras).

O projeto trabalha com grupos de líderes identificados nos abrigos indígenas e não indígenas da Operação Acolhida, resposta governamental ao fluxo de pessoas refugiadas e migrantes da Venezuela – entre elas Luis Zambrano, de 34 anos que está acolhido no abrigo Pricumã. Para Luis, o programa lhe trouxe um sentimento de alívio por poder desconstruir alguns mitos. “Agora sei que posso expressar meus sentimentos e que não sou menos forte ou menos homem por conta disso”, conta o esposo e pai de três filhos, que chegou com a família ao Brasil no começo deste ano.

As atividades em grupos são uma das ferramentas usadas durante o treinamento para descontrair os participantes e criar um ambiente leve para tratar os assuntos. Nesse momento, mitos em comum são identificados tanto na população refugiada indígena quanto na não indígena.

Conceitos como “homem não chora”, “homem não sente dor”, “homem não demonstra sentimentos”, “homem não tem medo” são comuns em todos os grupos de participantes, e a partir daí se começa a entender o impacto que esses estereótipos podem afetar no desenvolvimento de meninos e homens.

“Esse tipo de iniciativa é importante para que possamos abordar temas que não são comumente falados na comunidade”, explica Pedro Pacheco, Assistente de Proteção do ACNUR em Boa Vista e um dos moderadores do treinamento.

Pedro também complementa que um dos sentimentos mais identificados entre os participantes é o de frustação e impotência em frente à nova realidade causada pelo deslocamento forçado. “A impossibilidade de prover para a sua família é um dos pontos mais comentados pelos homens dos grupos. Por isso a possibilidade de desconstrução de mitos e medos é importante para que esses homens possam reagir de uma melhor forma a esta nova situação”, diz Pedro.

Juan Ossa, coordenador do abrigo Pricumã (com capacidade para 924 pessoas) e facilitador do projeto, ressalta que outro ponto abordado é o maior envolvimento da comunidade masculina nas atividades sociais do abrigo, que normalmente são dominadas por mulheres.

“O ócio e a falta de oportunidade de trabalho fora do abrigo podem levar à manifestação de relações violentas no núcleo familiar e social. Por isso convidamos os homens durante o treinamento a pensar em como se envolverem mais e como motivar outros homens a fazerem parte das soluções que foram identificadas durante as atividades”, ressalta Juan.

E essa foi uma das conclusões que Luis levou após as atividades e discussão:  compartilhar o que aprendeu com outros homens, e trazer mais colegas para pensarem além das limitações atuais e vislumbrar novas possibilidades. Que juntos, entre homens e mulheres, jovens e idosos, todos podem se apoiar. “Agora quero falar o que aprendi para meus colegas no abrigo, onde muitos ainda pensam como eu pensava e não se sentem livres para se expressar. Não tem problema sentir medo, não tem problema valorizar o trabalho das mulheres, e podemos sonhar e nos ajudar”.

A iniciativa “Novas Masculinidades” é um programa contínuo que oferece treinamentos e capacitações para diferentes grupos. O ACNUR também atua fortemente em programas de sensibilização de gênero e empoderamento feminino com mulheres e comunidade LGBTI+ de refugiados e migrantes em Roraima.

Tendo como referência outras iniciativas direcionadas para homens, como a campanha “Valente não é Violento” (implementada pela ONU Mulheres e o Ministério Público), a iniciativa “Novas Masculinidades” é conduzida pelo ACNUR em parceria com o UNFPA (Fundo de População da ONU) e facilitado pela organização parceira AVSI (Associação Voluntários para Serviço Internacional), com o apoio da FFHI (Federação Humanitária Internacional) e FSF (Fraternidade Sem Fronteiras).

O projeto trabalha com grupos de líderes identificados nos abrigos indígenas e não indígenas da Operação Acolhida, resposta governamental ao fluxo de pessoas refugiadas e migrantes da Venezuela – entre elas Luis Zambrano, de 34 anos que está acolhido no abrigo Pricumã. Para Luis, o programa lhe trouxe um sentimento de alívio por poder desconstruir alguns mitos. “Agora sei que posso expressar meus sentimentos e que não sou menos forte ou menos homem por conta disso”, conta o esposo e pai de três filhos, que chegou com a família ao Brasil no começo deste ano.

As atividades em grupos são uma das ferramentas usadas durante o treinamento para descontrair os participantes e criar um ambiente leve para tratar os assuntos. Nesse momento, mitos em comum são identificados tanto na população refugiada indígena quanto na não indígena.

Conceitos como “homem não chora”, “homem não sente dor”, “homem não demonstra sentimentos”, “homem não tem medo” são comuns em todos os grupos de participantes, e a partir daí se começa a entender o impacto que esses estereótipos podem afetar no desenvolvimento de meninos e homens.

“Esse tipo de iniciativa é importante para que possamos abordar temas que não são comumente falados na comunidade”, explica Pedro Pacheco, Assistente de Proteção do ACNUR em Boa Vista e um dos moderadores do treinamento.

Pedro também complementa que um dos sentimentos mais identificados entre os participantes é o de frustação e impotência em frente à nova realidade causada pelo deslocamento forçado. “A impossibilidade de prover para a sua família é um dos pontos mais comentados pelos homens dos grupos. Por isso a possibilidade de desconstrução de mitos e medos é importante para que esses homens possam reagir de uma melhor forma a esta nova situação”, diz Pedro.

Juan Ossa, coordenador do abrigo Pricumã (com capacidade para 924 pessoas) e facilitador do projeto, ressalta que outro ponto abordado é o maior envolvimento da comunidade masculina nas atividades sociais do abrigo, que normalmente são dominadas por mulheres.

“O ócio e a falta de oportunidade de trabalho fora do abrigo podem levar à manifestação de relações violentas no núcleo familiar e social. Por isso convidamos os homens durante o treinamento a pensar em como se envolverem mais e como motivar outros homens a fazerem parte das soluções que foram identificadas durante as atividades”, ressalta Juan.

E essa foi uma das conclusões que Luis levou após as atividades e discussão:  compartilhar o que aprendeu com outros homens, e trazer mais colegas para pensarem além das limitações atuais e vislumbrar novas possibilidades. Que juntos, entre homens e mulheres, jovens e idosos, todos podem se apoiar. “Agora quero falar o que aprendi para meus colegas no abrigo, onde muitos ainda pensam como eu pensava e não se sentem livres para se expressar. Não tem problema sentir medo, não tem problema valorizar o trabalho das mulheres, e podemos sonhar e nos ajudar”.

A iniciativa “Novas Masculinidades” é um programa contínuo que oferece treinamentos e capacitações para diferentes grupos. O ACNUR também atua fortemente em programas de sensibilização de gênero e empoderamento feminino com mulheres e comunidade LGBTI+ de refugiados e migrantes em Roraima.

FONTE: ACNUR.