Reflexões sobre trabalhar para viver em por que fazemos o que fazemos?

Uma rápida viagem de pensamentos com um dos principais filósofos brasileiros da atualidade sobre o ato de trabalhar.

Por que fazemos o que fazemos? Essa é a reflexão que Mário Sérgio Cortella, um dos mais renomados filósofos brasileiros da atualidade, propõe ao longo das rápidas 175 páginas de seu livro. Como de praxe, Cortella não oferece soluções prontas ou fórmulas de como ter sucesso. Muito pelo contrário, nesta obra ele aborda em 20 capítulos as principais aflições, incertezas e conflitos que uma pessoa, seja jovem ou adulta, tem de passar durante sua entrada no mercado de trabalho, sua manutenção neste meio e as escolhas que precisa fazer.

A obra se torna cativante pelo fato de o autor nunca se postar como alguém que está passando conselhos ou verdades absolutas. Sua meta é fazer com que o leitor se instigue e pense sobre a temática proposta. Cortella deseja que o leitor reflita sobre os caminhos muitas vezes difíceis que possam ou não existir durante uma carreira profissional. É uma obra especial pois nela se discute sobre o tenso ambiente do trabalho, mas de uma maneira suave e leve, por meio da didática exemplar de um grande professor de universidade. A obra é saborosa pois apesar de tratar de um assunto que aparenta ser bastante sério, a escrita utilizada segue um vocabulário acessível e nada rebuscado.

Um imenso mérito de Cortella é a sua capacidade em unir assuntos do cotidiano com grandes nomes da filosofia. O escritor consegue apresentar diversos pensamentos, conceitos e ideias de uma maneira objetiva e de fácil compreensão. A obra de Cortella não apresenta a filosofia como algo distante, mas sim como algo muito presente em nosso dia a dia. A partir disso, o diferencial desta obra são as incríveis relações e analogias que o escritor faz entre o ambiente do trabalho e a filosofia. Ele nos instiga a ver o trabalho como algo muito além de um simples ato de sustento.

Ainda que ele acredite que o sustento obviamente é fundamental, é preciso trabalhar para “marcar seu lugar no mundo”. Não se deve trabalhar se sentindo apenas uma peça de engrenagem. Para ele, quando isto ocorre é porque a forma como determinada empresa é gerida e organizada está equivocada, pois trabalhar deve ser uma maneira de contribuir com a sociedade e uma forma de se fazer o bem. O trabalhador deve se sentir fazendo algo que seja importante não só para a empresa, para o chefe ou para seu bolso, mas para ele também. Com isso, é preciso que a motivação caminhe junto de quem trabalha.

Além disso, trabalhar não pode ser um ato de monotonia, uma ação robotizada que você faz porque tem de fazer. O trabalho é algo que necessita de engajamento e é uma ação que requer um grande nível de compromisso por parte do trabalhador e também dos chefes. Trabalhar pode ser desgastante, mas também pode ser encarado como um ato de prazer. Por isso, é preciso fazer o que se gosta. Lógico que isso nem sempre é possível. Mas há momentos em que é. E, para se dar conta disso, ele propõe que sempre se reflita sobre o porquê “faz o que faz e porque não faz o que não faz”.

Cortella também fala sobre a importância do trabalho em equipe. Segundo ele, um conjunto de trabalhadores ou até de chefes que não conseguem se unir em prol de uma ideia dificilmente será bem-sucedido no trabalho. Ele crê que para o sucesso de uma empresa é preciso que tarefas sejam divididas e repartidas de maneira justa. Um caso grave e muito comum é quando, em um grupo, parte dos integrantes fazem muito e outros pouco fazem. Por isso, não se pode considerar a empresa apenas como uma estrutura hierárquica, e sim uma comunidade em que todos estão navegando juntos no mesmo barco. O trabalhador não pode ser tratado apenas como alguém que executa o que lhe é pedido, mas alguém com responsabilidades e importância para o futuro da empresa.

Outro ponto alto desta leitura é o fato de Cortella argumentar com veemência que a vida é feita de escolhas e “não há escolha que não traga perda”. É preciso se questionar sobre como melhorar seu desempenho e é preciso estar ciente de que nunca se para de aprender. Acredita também que trabalhar pode ser desgastante. Por isso, é fundamental saber as razões e os “senões” sobre tudo aquilo que se faz. Já que todo trabalho requer muito esforço, cada um deve se questionar sobre como esse esforço será refletido no futuro e se ele valerá a pena.

“Por que fazemos o que fazemos?” é uma leitura excepcional para refletir e se questionar sobre todo tipo de incerteza que enfrentamos no meio do trabalho. Uma obra fundamental para a compreensão e o questionamento sobre as estruturas e atividades do mundo profissional.

Autor: Lucas Rosa Brzezinski (2º semestre) | Foto: Lucas Rosa Brzezinski (2º semestre)

Fonte: PUC-RS.