Qual o destino do seu lixo?

Aumento do descarte irregular de resíduos preocupa moradores do Rudge; por outro lado, área é “o ganha pão” de catadores que reciclam o material.

Lugar de lixo é no lixo, ou deveria ser. Na ligação entre a rua Noel Rosa e a Avenida Lauro Gomes, no Rudge, um terreno baldio foi ocupado pelo lixo. O cenário agora é de total abandono, sujeira e infestação de pombas e ratos que trazem grandes danos ao ambiente e também sérios riscos à população local, que diz vivenciar essa situação há mais ou menos quatro anos.

Moradores próximos ao terreno estão assustados principalmente por não ser a primeira vez que acontece uma invasão desse tipo, como disse a dona de casa Ozana Riva, que mora há 35 anos no bairro. “Cada hora se forma uma coisa, é lixão, é favela, e ninguém toma providência. O pessoal cata o lixo para reciclagem e leva para lá, o que eles querem eles reciclam, o que não é útil, eles deixam”.

Comerciantes do local vêm a situação com mais um agravante, o acúmulo do material deixado pelos moradores de rua resulta no crescimento da quantidade de ratos. Caroline Andrade, que é auxiliar de faturamento na empresa BRK Laticínios, localizada na rua do lixão, faz um alerta para esse problema. “Muitos moradores de rua ficam ali, junto com restos de comida, roupa. Eles fazem reciclagem e no carrinho deles tem tudo, e onde tem lixo tem bicho”.

Moradores indicam que além dos sucateadores, é a própria população do bairro que fomenta o lixão, jogando de tudo no terreno abandonado. “É o pessoal daquela casa verde ali, está vendo? São eles que jogam”, diz o colaborador da Sabesp Robson Jardim, que mora há 34 anos no prédio em frente ao local.

Quem confirma a ação dos moradores é a dona de casa Luzinete Silva. “É o povo da rua que joga sujeira lá, eu já vi carros parando e jogando lixo lá”.

O cheiro também não agrada os moradores e nem quem trabalha próximo ao terreno invadido pela sujeira. Além do Ribeirão dos Meninos, rio que acompanha toda a avenida Lauro Gomes e que traz mau odor para as proximidades, o lixão é alvo de reclamação dos moradores. “Existe o mau cheiro, não chega até aqui (empresa), mas quem passa por ali, sente”, diz Caroline.

Em nota, a prefeitura de São Bernardo, por meio da secretaria de Serviços Urbanos, informou que o local mencionado se trata de terreno particular, que já foi autuado em fevereiro deste ano, pelo não cumprimento de notificação para limpeza, capinagem e remoção de entulho. O mesmo será notificado novamente. A Administração esclarece ainda que o Departamento de Limpeza Urbana, em conjunto com a Guarda Municipal Ambiental, tem trabalhado no sentido de aumentar a fiscalização no chamado “pontos viciados”, autuando e multando quando o morador é pego em flagrante. Denúncias sobre descarte irregular podem ser feitas por meio do telefone 153 da Guarda Civil e do endereço eletrônico www.sbclimpeza.com.br.

Em contra partida…

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que os catadores são responsáveis por 90% dos materiais reciclados no Brasil. O Engenheiro Ambiental Andrey Leal, ressalta a importância dos sucateadores para a sociedade e o meio ambiente. “Os catadores têm uma grande importância para a coleta de resíduos, porque selecionam materiais de valor comercial que podem voltar ao seu ciclo de vida, e assim, menos recursos naturais são extraídos para a fabricação de novos produtos”.

“Eles (os moradores) olham do outro lado da situação, julgam todo mundo e não sabem separar as coisas”, diz Alexandre Gustavo da Silva, o Píola, morador de rua que trabalha no lixão, reciclando material.

Fora do mercado de trabalho, Píola está na rua há oito anos. Ele vê na sucata o seu ganha pão. “A gente ajuda o meio ambiente e a cidade e ela ainda fica contra nós. Com a idade que a gente está, tem que se virar de algum jeito, vamos ficar pedindo dinheiro em farol? Eu faço três cargas por dia, é assim que eu tiro minha comida, o meu remédio. Se a gente for em alguma firma por aí, a gente não serve mais para nada. Vocês querem que a gente faça o quê? Vá roubar?”

Fonte: METODISTA.

Autor: Renan Bandeira.