Outra perspectiva do mundo através de fatos

Uma obra necessária para entender a importância de verificar as informações antes de formar opiniões.

“Factfulness: o hábito libertador de só ter opiniões baseadas em fatos” foi escrito pelo médico sueco, Hans Rosling, junto a seu filho, Ola Rosling, e sua nora, Anna Rosling Rönnlund, no ano de 2017. Como o título sugere, o objetivo é desconstruir algumas concepções de mundo e lutar contra a desinformação, baseado na checagem de informação.

Para o profissional de jornalismo, principalmente o jornalista de dados, é um procedimento fundamental e comum. No entanto, a obra busca incentivar todos a fazerem o mesmo.  

Já no início da obra, o leitor se depara com várias perguntas de Rosling para testar a visão de mundo do leitor. O autor depois mostra o resultado e a porcentagem das respostas de diferentes grupos de pessoas, ao redor do planeta, como instituições, especialistas, banqueiros e nacionalidades. As questões são, por exemplo: “que porcentagem da população mundial vive na pobreza?”, “qual é o número de crianças vacinadas no mundo hoje?”, “quantas meninas terminam a escola?’’.

O autor cita e explica as dez regras para o que chamam de Factfulness: separação, negatividade, linha reta, medo, tamanho, generalização, destino, perspectiva única, culpa e urgência. O livro faz refletir se aquilo com que nos preocupamos é de fato um problema ou se é apenas uma visão distorcida do mundo. Um exemplo é quando o autor cita 16 aspectos do mundo que estão melhorando e outros 16 que estão piorando.

O modo de dividir o mundo, de forma extrema, em ricos ou pobres, países desenvolvidos ou em desenvolvimento, ocidente ou  o resto, é identificado como um desses problemas de leitura da conjuntura atual. Uma solução, ainda não reconhecida pela ONU, é dividir os países, conforme a renda e outros fatores, em quatro níveis, como Hans faz.

Um dos objetivos constantes do livro é surpreender o leitor quanto a suas percepções do mundo. Isto acontece quando o autor mostra um gráfico de 1965 e, em seguida, um de 2017, com informações de países em desenvolvimento e desenvolvidos, comparando aspectos passados e atuais, demonstrando como o planeta mudou, e em diversos aspectos, para melhor. Rosling defende que as escolas deveriam ensinar que, durante a vida, temos que atualizar sempre os estudos e aprendizados, inclusive nossas opiniões de mundo.

Um dos principais temas do livro é a visão dramática das pessoas. Nesse sentido, o jornalismo colabora. O autor critica os jornalistas que priorizam notícias ruins. São críticas construtivas e necessárias para os jornalistas melhorarem como profissionais.  

Um exemplo é um jornal da Suíça que preferiu noticiar um homem atacado por um urso em vez de uma mulher morta por múltiplos golpes de machado por seu ex-companheiro. Nesse mesmo país, há mais mulheres assassinadas por companheiros do que pessoas atacadas por ursos. Ambos os fatos deveriam ser noticiados e são relevantes, porém as pessoas deveriam se preocupar mais com a violência por parte dos homens. 

Segundo Rosling, os cinco riscos globais com que a humanidade deve se  preocupar são: pandemia global, colapso financeiro, guerra mundial, mudança climática e extrema pobreza.

O autor afirma que o mundo não pode ser entendido sem números, mas precisamos considerar outros fatores, não apenas eles; explicam que um só número, isolado, nunca deve ser considerado, pois não é uma informação realmente concreta, já que não permite avaliações e comparações. Para ele, antes mesmo da desinformação ganhar força na mídia enquanto fenômeno, as pessoas já entendiam errado o mundo.

É um livro destinado a um público amplo, pois trata de um tópico extremamente importante, e nos motiva a pesquisar informações antes de se afirmar algo. Por fim, tem viés jornalístico e torna-se essencial para jornalistas, porque apresenta uma perspectiva de pessoas que têm outras profissões.

Autora: Camila Naegelen (2º semestre) | Foto: Camila Naegelen (2º semestre) 

Fonte: PUC-RS.