O mito da beleza: como as imagens de beleza são usadas contra as mulheres

Em 490 páginas, o livro mostra como os padrões de beleza são impostos às mulheres de forma a torná-las escravas de um sistema que lucra com suas inseguranças.

Há quem ouse dizer que a mulher contemporânea atingiu a sua máxima liberdade. Conquistas como o voto feminino, invenção da pílula anticoncepcional e entrada no mercado de trabalho foram de fato passos importantes para a emancipação feminina. Porém, enquanto a independência era conquistada, surgiu outra forma de aprisionamento das mulheres: a busca incessante pela beleza.

É justamente esse o foco do livro O Mito da Beleza, escrito pela jornalista Naomi Wolf. Publicado pela primeira vez em 1991, a obra ganhou uma nova versão em 2018 pela editora Rosa dos Tempos, com comentários atualizados da autora sobre o que mudou – ou não, desde a primeira publicação.

O culto ao corpo está presente desde o início da humanidade, e se reinventa junto com as transformações sociais. Nas revistas de moda, na televisão, na internet e por todos os lados, estão presentes conteúdos de incentivo não só ao corpo perfeito, mas também ao comportamento ideal. Dietas, cirurgias plásticas e produtos de beleza são apresentados às mulheres como forma de empoderamento. 

O mito da beleza ao qual o título do livro se refere funciona como uma opressão disfarçada de liberdade. Ainda é comum as pessoas enxergarem a obsessão pela estética corporal como um direito conquistado pelas mulheres. Através de contextualização histórica e diversas pesquisas, a escritora norte-americana comprova que o desgosto que a maioria das mulheres têm de sua própria aparência é extremamente lucrativo para o sistema. Infinitos cremes milagrosos estão disponíveis nas prateleiras com a promessa falsa de antienvelhecimento – algo que é da natureza do ser humano. 

“Uma cultura centrada na magreza feminina não é uma obsessão pela beleza feminina, mas uma obsessão pela obediência feminina. A dieta é o sedativo político mais potente na história das mulheres”.

Segundo Naomi, o mito age como uma ferramenta de controle que atrapalha a ascensão feminina. Isso porque, os padrões de beleza funcionam de uma forma com que a mulher nunca esteja satisfeita com a sua aparência. Todo o tempo e dinheiro ocupado pelas mulheres em tratamentos estéticos e cirurgias é o mesmo ocupado pelos homens para ascender pessoal e profissionalmente. A sociedade incentiva mulheres a serem bonitas e homens a serem bem-sucedidos. 

A principal mensagem deixada pela autora é da necessidade de nos libertarmos das amarras da beleza ideal. Esse movimento não pode ser apenas pessoal, mas também social. É preciso ir contra todo o sistema. De forma alguma o livro incentiva que o cuidado com a aparência ou que o uso de produtos estéticos sejam deixados de lado. Mas é importante que esses recursos sejam utilizados com consciência, sem o propósito de agradar ou atingir um padrão que é inalcançável. 

Autora:  Fabiana Damian (2º semestre) | Foto: Fabiana Damian (2º semestre) 

Fonte: PUC-RS.