Nagorno Karabakh: a região mais polêmica e disputada da Europa

A região que liga a Rússia a Ásia possui um conflito que vem desde os tempos de Stalin e segue até hoje.

Há uma série de questões étnicas, políticas e de envolvimento de grandes potências na região do Cáucaso. Isso não é novidade para quem acompanha política internacional. Porém em 2012 e 2019 ocorreram dois casos internacionais que ganharam repercussão por alguns dias e foram esquecidos. Em 2012, o Azerbaijão sediou a maior competição musical europeia, o Eurovision Song Contest. Eles tiveram esse direito após vencer o ano anterior, que teve 43 participantes. O concurso de Baku, capital azeri, teve 42. A exceção foi justamente os vizinhos armênios, que não participaram após uma declaração onde o presidente azeri Ilham Aliyev diz que “os inimigos número um do Azerbaijão são os armênios”. A agência de notícias AFP disse ”Apesar do fato das autoridades do Azerbaijão terem dado garantias de segurança para todos os países participantes, alguns dias atrás o presidente do Azerbaijão fez uma declaração que o inimigo número um do Azerbaijão são os armênios”  Já em 2019 a capital sediou a final da Liga Europa de futebol. Os finalistas foram o Chelsea e o Arsenal, duas equipes londrinas. O desfalque mais sentido foi do meia do Arsenal Henrikh Mkhitaryan. O motivo foi justamente ele ter sido barrado de entrar no país por ser armênio. 

Para entender o que ocorre na região de Nagorno Karabakh é necessário voltar aos tempos da União Soviética. A região foi “dada” aos azeris por Stalin logo no começo da União Soviética, no chamado “Comissariado do Povo para as Nacionalidades”, que controlava conflitos de outros povos não-russos vivendo dentro da União Soviética. Porém, a maioria da população da região na época era de origem armênia, de fé cristã, enquanto os vizinhos azerbaijanos são de fé muçulmana.

Os azerbaijanos se instalaram mais na parte plana da região, enquanto a maioria armênia ficou na parte montanhosa que compõe a área de mais de 11.000 quilômetros quadrados.

Cada lado tem seus aliados vizinhos. A Armênia é parceira da Rússia e o Azerbaijão tem a parceria da Turquia.

Os armênios alegam que a população da região deve escolher a que país pertencem. Vários referendos foram feitos, sempre apoiados pela Armênia e dizendo que deviam ser parte da Armênia ou ser independente (com o nome República de Artsaque). A população de maioria armênia administra sua parte como república independente, apesar de não ter reconhecimento da comunidade internacional.

Em 2020, eclodiu uma nova guerra e, segundo Guilherme Canever, viajante e escritor de livros sobre geopolítica, “o Azerbaijão foi o agressor, ele que ‘quebrou o gelo’ e retomou o conflito. Mas vale lembrar, que para todos os países, ali é território azeri.” Ou seja, o Azerbaijão atacou, mas internacionalmente lá é território azeri.

Guilherme acrescenta que “sendo o agressor, e com as táticas que empregou, acredito que o Azerbaijão causou maiores danos”, numa tentativa de “dispersar os armênios da região”.

Os vizinhos Argentina e Uruguai possuem uma grande comunidade armênia. No Brasil, a Linha 1-Azul do metrô de São Paulo tem uma estação chamada Estação Armênia em homenagem aos imigrantes armênios que ajudaram na construção dela.

Andreia Hiromi é jornalista, especialista em Azerbaijão, vive em Osasco e demonstra seu apoio a causa azerbaijana nas redes.

Segundo ela, a Armênia trouxe refugiados sírios para formar uma “faixa de vida” na região de Nagorno Karabakh. Ela contou histórias pouco conhecidas também como da vila de Khojaly, que em Fevereiro de 1990 foi dizimada por tropas armênias. Os poucos sobreviventes perderam membros por caminhar na neve quase sem roupas.

Ela acusa a Armênia de mover população para NK para ter maior parte da população. Já Guilherme Canever argumenta que  “caso a região passasse a ser independente ou território armênio, deixariam de existir minoria armênia dentro do Azerbaijão e passaria a existir minoria azeri dentro da Armênia ou de NK.”

Autor:  Amir Bliacheris (2º semestre) | Foto: Reprodução/Adam Jones

Fonte: PUC-RS.