Mulheres mudam hábitos alimentares na pandemia, aponta pesquisa

É preciso tomar cuidado com alimentos inflamatórios como frituras, produtos industrializados e ricos em açúcar refinado.

O isolamento social estabelecido durante a pandemia mexeu com a rotina de milhares de mulheres, principalmente na questão alimentar. Uma pesquisa feita na Universidade de São Paulo, divulgada no final de outubro, avaliou como as mulheres brasileiras, de diferentes estados nutricionais, vivenciaram esse momento em relação aos seus hábitos e escolhas alimentares.

Das 1.183 entrevistadas entre junho e setembro de 2020, foi possível observar que o número de mulheres que participavam das compras de supermercado reduziu bastante, cerca de 34%. Já o hábito de cozinhar em casa aumentou 28% e o uso de serviço de entrega cresceu 146%. No entanto, nenhuma mudança foi observada para o hábito de comer em frente à TV, tablet ou celular, ou substituir as principais refeições por lanches.

Ananda de Almeida Fonseca, 26, trabalha com marketing digital. Ela conta que desde o início da pandemia melhorou vários aspectos da sua alimentação. “Consegui parar de comer bobeira à tarde, passei a consumir frutas, pedi menos delivery e comecei várias dietas, mas cheguei a pará-las. Também estou cozinhando mais em casa e depois que a pandemia passar, pretendo continuar nesse ritmo”.

A endocrinologista Ana Paula Leal da Costa, do hospital São Camilo de São Paulo, esclarece que alimentos ricos em açúcar refinado e gorduras saturadas, como doces, açúcar branco, embutidos, frituras e produtos industrializados, prontos para consumo, são prejudiciais para a saúde.

Segundo a médica, estes alimentos podem gerar inflamação no organismo causada no pós-refeições de má qualidade, aumentando os níveis de gordura. “Essa inflamação pode causar resistência à insulina, interferir na circulação sanguínea e levar à hipertensão, obesidade e diabetes”.

Nathalia Freitas, 23, designer, aproveitou a quarentena para fazer grandes mudanças alimentares no dia-a-dia. “No final de abril decidi mudar completamente meu estilo de vida. Comecei a fazer uma dieta bem restrita e a sigo até hoje. Uma vez por mês peço fast food e agora estou colhendo os resultados”, conta. Com uma dieta repleta de legumes, verduras e frutas, Nathalia tem uma vida mais saudável.

Ana Paula Leal da Costa explica que o ideal é sempre manter hábitos alimentares saudáveis, evitando frituras, alimentos ultra processados e bebidas alcoólicas. “Este é um período propício ao estresse e ansiedade, causando liberações hormonais que estimulam o apetite e alimentos inflamatórios que podem potencializar essas alterações hormonais”. Para a médica, o melhor é resistir ao máximo, caso contrário, o descontrole pode levar à compulsão alimentar, obesidade, diabetes e inflamações.

Autor: Felipe Laurinho.

Fonte: Metodista.