Mesmo com fim dos programas, fã-clubes de participantes de reality shows mantêm perfis ativos

Encontro de fãs, presentes e engajamento nas redes sociais são algumas das formas que os admiradores usam para continuar apoiando os ex-integrantes de reality shows.

“Quando eles estão na casa, durante os reality shows, você tem uma forma de acompanhar. Quando eles saem, você está acostumado a vê-los 24 horas por dia e pensa: ‘eu preciso de uma forma de continuar vendo’. É nesse momento que as pessoas se unem até mais”, afirma Mylena Vieira, de 23 anos, fã do casal “Carthur” (Carla Diaz e Arthur Picoli, do Big Brother Brasil 21).

Nos últimos reality shows de destaque no Brasil, vários participantes conquistaram uma torcida grande, ativa e engajada, principalmente quando a dinâmica do jogo possuía confinamento e convivência. No entanto, mesmo com o fim dos programas de televisão, muitos integrantes dessas torcidas continuaram dedicando tempo, amor e carinho para os ex-participantes.reality shows

Encontro de fãs Carthur em São Paulo
Acervo Pessoal

A PERMANÊNCIA NO FÃ-CLUBE APÓS OS REALITY SHOWS

Com o fim de uma temporada, muitos fãs continuam vibrando pelo sucesso dos integrantes de reality para quem torceram. Além de seguirem os ídolos nas redes sociais, os fã-clubes também organizam diversas iniciativas para os favoritos, realizando desde entregas de presentes até contribuições no engajamento das redes. Mylena Vieira diz que ver a alegria dos ídolos, Carla Diaz e Arthur Picoli, já faz todo o esforço valer a pena.

“Para mim, a explicação disso tudo é amor. A gente não está procurando nada em troca. Quando você ama a pessoa de verdade, não se importa de estar fazendo algo para alguém que nunca vai te conhecer na vida ou que talvez você nunca veja. Você realmente ama e admira tanto aquela pessoa que o fato dela estar feliz te deixa feliz”, reflete Mylena.

Segundo a fã de “Carthur”, o fato de acompanhar os participantes enquanto eles estão em um reality show dá uma sensação de proximidade, pois o fã passa a conhecer várias características dos ídolos, incluindo qualidades e defeitos. No caso da jovem, isso criou uma forte conexão com os participantes que admira e, para ela, também mostrou como muitos telespectadores interpretaram algumas atitudes dos ex-bbbs de forma equivocada.

De acordo com Mylena, o fato de entender o contexto das atitudes dos ídolos e enxergar neles algo que poucos viram durante o programa também foi um fator que motivou a permanência no fã-clube. Ela afirma que observar esses famosos por muito tempo trouxe e continua trazendo vivências inesquecíveis e muitos aprendizados.

“Tanto a Carla quanto o Arthur me ensinaram muito sobre amor ao próximo. Eu cresci ouvindo sobre isso, mas fui aprender vendo um reality. Tiveram muitas coisas que eles abriram mão um pelo outro e isso me ensinou muito, porque eu vi que a minha felicidade vem quando as pessoas ao meu redor estão felizes”, acrescenta.reality shows

Presente organizado por fãs do Squad Carthur Vive e enviado para a ex-BBB Carla Diaz no Egito
Acervo Pessoal

AS POSSIBILIDADES DAS REDES SOCIAIS

Muitos grupos de fãs criaram diversas iniciativas nas redes sociais. Mylena Vieira, juntamente com outros membros do fandom Carthur, organiza spaces no Twitter para promover momentos de oração e de cantoria. Esses eventos, que já chegaram a contar com mais de 2000 pessoas, são realizados para rezar pelos favoritos, pelas pessoas do fã-clube e também para cantar e ouvir músicas.

Além disso, muitos fãs criam perfis para enaltecer os seus ídolos durante o reality e mantiveram as contas ativas mesmo com o fim do programa. Uma fã do ex-BBB 21 Rodolffo Matthaus criou um perfil no Instagram para o cantor sertanejo em fevereiro e continua, até hoje, publicando fotos, vídeos e divulgando eventos do famoso.

“Eu já pensei em desativar o perfil várias vezes por conta dos haters, mas eu continuo, porque ainda sou fã do Rodolffo, mesmo depois do programa. A minha admiração por ele não mudou nada”, ressalta a jovem de 13 anos, que prefere não se identificar.

As redes sociais atuam como um canal de comunicação que permite a construção de vínculos entre as pessoas do próprio fã-clube. Segundo a fã, dentro do fandom de Rodolffo não é diferente. Ela relata que conheceu pessoas por meio do seu perfil e criou verdadeiros laços de amizade. Para Mylena Vieira, admiradora do casal “Carthur”, essa união existente entre os próprios fãs cria uma rede de apoio e amor muito acolhedora.

“Realmente a gente se tornou uma grande família. Criamos um vínculo tão grande com a outra pessoa que é um amor que eu não sei explicar, é uma amizade muito grande, que vai além de gostar de uma pessoa de um reality”, aponta.

O ENGAJAMENTO E A VISIBILIDADE

Segundo o publicitário Moacyr Lopes, especialista em marketing de influência, a extrema visibilidade dos participantes de realities faz com que eles sejam procurados por muitas marcas, inclusive para divulgarem produtos ou serviços em suas redes sociais. Ele destaca que a busca das empresas é por influenciadores digitais que tenham uma conexão com a marca, que utilizem seus produtos no cotidiano e que possuam conteúdos criativos.

Na era das redes sociais, os fãs estão sendo muito importantes para contribuir com o engajamento dos ídolos, principalmente após o reality show. Os fã-clubes afirmam que conhecem marcas por meio dos ex-participantes e que compram diversos produtos que eles divulgam, além de salvarem, compartilharem e comentarem as publicações no Instagram.

Segundo o publicitário, o engajamento é um fator que chama a atenção de marcas para a contratação de influenciadores: “Não importa o seu nicho, categoria ou estilo de conteúdo, mas é muito importante perfis com um bom engajamento”.

“Hoje, percebemos que um bom influenciador é aquele que mantém um relacionamento com seus seguidores e de alguma forma sabe atrair novas pessoas a conhecerem seu trabalho. Você mantendo isso, os seguidores automaticamente começam a retribuir engajando o seu perfil com likes, comentários, compartilhamentos e isso é uma boa vitrine para marcas na hora de iniciar o processo de busca de influenciadores”, diz.

Editado por Julia Queiroz.

Autora: Camille Magri Garabosky.

Fonte: Cásper Líbero.