Indígenas pedem doações para reconstrução de casa de reza após incêndio criminoso em Viamão

O povo Mbya Guarani também perdeu dois carros por conta do fogo.

A casa de reza da aldeia Pindó Mirim (Pequeno Coqueiro, em guarani), Terra Indígena Itapuã em Viamão-RS, e dois veículos da comunidade foram incendiados na madrugada do dia 14 de novembro de 2021. O espaço de armazenamento de mantimentos também pegou fogo, mas os moradores conseguiram controlar as chamas.

Reprodução/Valdecir Xunú Moreira

O povo Mbya Guarani está recebendo doações para reconstrução da casa de reza via pix (51986104723). A meta da arrecadação é de R$4500.

“Precisamos de ajuda para comprar os materiais. Eu espero que mais pessoas boas, como as que estão doando, se mobilizem”, disse Valdecir Xunú Moreira, cacique de Pindó Mirim.

Os moradores não sabem quem são os invasores que iniciaram o incêndio, mas afirmam estarem aliviados que nenhum dos 180 habitantes da aldeia se feriu. Para os indígenas, além da casa de reza ser um espaço de realização de rituais religiosos, ela também significa o fortalecimento da resistência da comunidade.

Reprodução/Valdecir Xunú Moreira

O território está em processo de demarcação desde 2009. O relatório circunstanciado da área já foi concluído e está em posse da Fundação Nacional do Índio (Funai), em espera da sua publicação no Diário Oficial da União. Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a terra é de ocupação originária e tradicional do Povo Guarani.

Três dias antes do ocorrido, os moradores da comunidade haviam sido pressionados a se retirarem por um homem que alegou ser proprietário do local, que é uma terra garantida para utilização indígena pelo governo do Rio Grande do Sul.

De acordo com Valdecir, o Ministério Público Federal (MPF), a polícia civil e o Serviço de Proteção aos Índios (SPI) foram à aldeia dia 18 para procederem com medidas legais.

O Editorial J entrou em contato com o Ministério Público Federal, que disse estar analisando se anteriormente alguma ameaça aos indígenas da terra de Itapuã foi comunicada de forma oficial. O MPF não quis informar quais são as suspeitas sobre quem provocou o incêndio nem quais estratégias serão tomadas para manter a segurança dos Mbya Guarani.

Autora:  Laís Alves (2º semestre) | Foto: Reprodução/Valdecir Xunú Moreira 

Fonte: PUC-RS.