Do anonimato a reportagem de A vida que ninguém vê

Livro reportagem reúne as melhores crônicas de Eliane Brum publicadas do jornal Zero Hora e conta histórias fantásticas do cotidiano de pessoas anônimas.

Para Eliane Brum, cada vida esconde um milagre e uma história fascinante. O livro A vida que ninguém vê reúne as melhores crônicas-reportagens da coluna de mesmo nome publicadas pela jornalista no jornal Zero Hora, em 1999. As crônicas receberam o Prêmio Esso Regional no ano da publicação e o livro, publicado em 2006, foi vencedor do prêmio Jabuti em 2007 como o melhor livro de reportagem do ano.

A vida que ninguém vê reúne histórias cotidianas de pessoas fascinantes que, muitas vezes, são anônimas. Para Eliane Brum, cada vida é essencial e pode virar uma grande reportagem, que vale a pena ser lida e contada. 

Assim como as suas colunas, o livro também foi um sucesso. Suas crônicas contribuíram para muitos leitores perceberem, a partir das histórias contadas, que as suas vidas, mesmo passando despercebidas pela mídia e contendo acontecimentos tristes, também eram especiais.

As vidas cotidianas jamais vistas antes foram observadas por Eliane Brum. O leitor pode se emocionar com algumas histórias, como o “Enterro de pobre”, em que Antônio Antunes, pai humilde, sepulta o filho cujo rosto não pode conhecer. O bebê que pesava 960 gramas morreu ainda no ventre da mãe e foi enterrado em um caixão doado e em uma cova emprestada. Para não ser enterrado sem roupa, Antônio Antunes havia comprado uma roupinha de sete reais no centro de Porto Alegre, mas não pôde vesti-lo. Para Antônio “não há nada mais triste que enterro de pobre porque não há nada pior do que morrer de favor”. Brum descreve que a grande diferença entre o enterro de pobre e o enterro de rico não está nas flores ou na multidão de um e na solidão de outro. A grande diferença entre ambos é que no enterro de pobre se chora não pela morte, mas sim pela vida.

Ao decorrer do livro, também é possível encontrar histórias felizes, como “Adail quer voar” e “O dia em que Adail voou”. Adail José da Silva passou 36 anos carregando malas no aeroporto sem nunca voar. A distância entre Adail e o avião eram de passos, mas as suas dificuldades financeiras nunca o permitiram chegar ao seu destino: Aparecida. Adail havia feito uma promessa para a Nossa Senhora Aparecida depois que sua perna doente foi curada.  Um mês depois da publicação da história na coluna de Zero Hora, a TAM tomou conhecimento da situação e resolveu patrocinar o sonho de Adail.

 A vida que ninguém vê foi vista por Eliane Brum. Suas histórias se passam sempre com moradores do Rio Grande do Sul que, a partir das suas reportagens, ficaram reconhecidos. O livro prova que não existe vida comum, e que os acontecimentos cotidianos de pessoas que não são celebridades também podem virar notícia.

Eliane Brum formou-se em 1988 em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Trabalhou 11 anos como repórter do jornal Zero Hora e 10 anos na Revista Época. Ao longo da sua trajetória, já ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem.

Autora: Ana Julia Schmidt Schwalm (4º semestre) | Foto: Ana Julia Schmidt Schwalm (4º semestre)

Fonte: PUC-RS.