Crianças estão cada vez mais inseridas no mundo virtual

Canais de todas as categorias projetam 135 bilhões de visualizações somente em levantamento feito no ano de 2018.

Uma pesquisa realizada  em janeiro de 2018 pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), que estuda consumo e produção  de vídeos de crianças de 0 a 12 anos no YouTube é bastante reveladora. Somente os números dos canais que pertencem a categoria YouTuber Mirim, que são as próprias crianças aparecendo nos vídeos com amigos e família, projetam, para dezembro de 2018,  perto de 19 bilhões de visualizações. Contando com todas as categorias, os canais somam 135 bilhões de visualizações. Deixando de ser apenas espectadores, as crianças se tornaram os protagonistas no Youtube.

Tiago Riesemberg, 5, tem um canal no YouTube e uma conta no Instagram há quase dois anos. O pai dele Luiz Fernando Riesemberg, 38, é quem administra as redes sociais do filho. Luiz Fernando e a esposa são professores, valorizam as experiências do filho e incentivam coisas que possam agregar no aprendizado dele. Ele conta que a ideia do canal surgiu após a gravação do primeiro vídeo quando Tiago estava entediado e sem fazer nada. O pai sugeriu ao filho gravar um vídeo de brincadeira e a história sobre um livrinho infantil foi o impulso para a criação do “Show do Tiago” no Youtube,  hoje com mais de 130 mil inscritos. “A minha intenção não era postar o vídeo em lugar nenhum, mas quando eu terminei de editar achei tão bonitinho que eu resolvi publicar para os meus amigos e família”, conta o pai.

As pessoas reagiram bem e então pai e filho continuaram a gravar mais vídeos e quando juntaram cinco, resolveram colocar tudo em um lugar só e criaram o canal. “A gente não imaginava que alguém fosse se interessar pelo canal, achava que ia ficar só para os amigos assistirem mesmo”, completa.

 A pedagoga Rosângela Sousa diz que a internet é uma tecnologia que veio e que não há mais como voltar. “Se bem usada, só pode nos ajudar. Não tem o que dar errado, tudo depende de muita orientação”. Segundo ela, qualquer excesso é prejudicial  à criança e não é diferente nesse caso. Porém, é relativo. “Tudo tem que ser feito de uma maneira ponderada e equilibrada das duas partes envolvidas”, avisa.

A pedagoga ainda ressalta que não é possível estipular um tempo adequado para as crianças usar a internet. Se as responsabilidades com a escola e as tarefas estão em dia e satisfatórios, os pais podem ser mais flexíveis em relação ao uso da internet. Caso não esteja tendo um aproveitamento escolar, os pais necessitam buscar um caminho para que tenha resultados em que a criança possa conquistar o tempo de ficar na internet. “Para a criança, isso ainda é prêmio. Seria um consenso entre o filho e os pais e fica muito mais fácil de ter o domínio da situação nesse sentido”, declara. Compartilhar e caminhar junto é o ideal para que se estabeleça uma relação de confiança. “É bastante conversa e orientação, além de um olhar bastante criterioso”, reforça a pedagoga.

A estudante Beatriz Guimarães, 20, ajuda a irmã Maria Eduarda, 8, nas gravações e publicações em seu canal no Youtube, “Já No Ar”, que está com 32 inscritos. Maria Eduarda criou este canal no começo do ano. Ele aborda saídas e viagens com a família ou tutoriais, assim como desafios que registra com a irmã. A ideia de criação do canal surgiu quando ela viu outras pessoas e também colegas fazendo o mesmo. “Acho que foi mais para seguir essa modinha. É o que está na moda agora, ser youtuber. É um sonhozinho que ela tem”, conta Beatriz.

Mas Beatriz deixa claro que é sempre bom ter um pouco de cuidado com essa exposição. Em casa, as irmãs e os pais sempre conversam sobre os assuntos possíveis a serem enfocados nos vídeos. “Embora ela faça isso só por diversão, sempre pode haver alguém que veja isso como oportunidade para alguma coisa fora do contexto da idade dela”, conta.

Fonte: Metodista

Autor: Giovanna Vidoto