Comportamento das pessoas durante a pandemia da Covid-19 é problema recorrente na história

Crenças pessoais e Fake News são características comuns na sociedade que interferem no programa de vacinação e protocolos sanitários.

O conceito de pandemia que o planeta todo passa atualmente é algo consideravelmente recorrente do ser humano, se observarmos o contexto geral da história. Não é a primeira vez em que a sociedade enfrenta um vírus de fácil contágio e com um considerável risco de letalidade. 

A peste bubônica, uma das maiores doenças com alto índice de letalidade enfrentadas pelo homem, chegou a causar o óbito de dois terços da Europa durante seu pico de contaminação, entre 1347 e 1351. O continente europeu levou aproximadamente 200 anos para recuperar o número de mortes causado pela praga, transmitida pela urina do rato. 

Observando um contexto mais recente, podemos destacar a gripe espanhola, doença que causou uma pandemia no início do século XX com características muito semelhantes às do coronavírus. O historiador e documentalista Matheus Fernandes de Miranda, morador de Santo André, afirma que a gripe espanhola foi a pior catástrofe pandêmica depois da peste bubônica. “O maior surto da doença durou dois anos, entre 1918 e 1919, e exterminou entre 2% a 3% da população mundial, chegando a contaminar 500 milhões de pessoas. O vírus responsável foi o H1N1, o mesmo que provocou a gripe suína em 2009 e matou 200 mil pessoas naquele ano.”

Miranda afirma que existem diversos paralelos sobre como a sociedade e seus governantes lidaram com a pandemia do começo do século XX, principalmente em relação ao comportamento das pessoas. “Assim como hoje, a sociedade duvidou da seriedade da pandemia, todos achavam que era uma histeria. No Brasil, as pessoas acreditavam que por conta da distância e do clima tropical, a doença nunca chegaria, algo parecido com o que ocorreu com o novo coronavírus.” O historiador também ressalta que a Diretoria de Serviço Sanitário da época indicava protocolos de segurança para evitar a contaminação e que a imprensa também divulgava essas informações ao público.

Mutação do vírus e comportamento da sociedade atual

Sobre a questão levantada por Matheus, em relação ao vírus H1N1 ser o responsável por dois surtos epidêmicos em épocas distintas, a infectologista Karin Regina Kolbe, de São Caetano, afirma que o fator que permitiu a esse vírus gerar duas infecções em massa foi a mutação. “Isso fez com que as pessoas perdessem as defesas que já tinham desenvolvido, causando uma pandemia de novo.” Karin também relata que a mutação viral é um dos principais motivos de crises epidêmicas causadas por infecções transmitidas pela respiração, como foi o caso do Influenza e a Covid-19.

Em relação ao comportamento da sociedade em diferentes pandemias, a Karin diz que as crenças das pessoas e a circulação de informações falsas são importantes pontos que justificam a desconfiança da população. Segundo a infectologista, é muito complexo trabalharmos somente com dados científicos, pois a ciência é questionada há muito tempo. “As teorias da conspiração envolvem o trabalho de ideologias e do que as pessoas acreditam de uma forma geral”. 

Fazendo um comparativo atual, Karin Kolbe afirma que enquanto o H1N1 da gripe espanhola era predominantemente disseminado por gotículas de saliva, a Covid-19 é transmitida pelo toque, vias aéreas e por partículas líquidas, assim como a Influenza. Porém, o coronavírus necessita de menos tempo de exposição para contaminar uma pessoa. Miguel Bicocchi (20), estudante de Gestão Financeira e morador de São Bernardo, contraiu o vírus em março deste ano e teve que ser internado. Ele contraiu o vírus por meio da mãe, na qual tinha sido infectada pelo avô de Miguel. “Dos 14 dias em que fiquei no hospital, nove eu estava entubado. Tive muita sorte, pois não passei por nenhuma falta de equipamentos para me tratar”, afirma Miguel. 

Autor: Giovane Rodrigues.

Fonte: Metodista.