Vulnerabilidade periférica no Brasil: Paulo Daniel Santos e os caminhos para fazer parte da solução

O Sem Estúdio recebeu o coordenador da CUFA-RS, Paulo Daniel Santos, para falar sobre os desafios do assistencialismo em meio à pandemia.

Os desafios do assistencialismo

Com o agravamento do quadro econômico no Brasil, milhões de pessoas foram deslocadas para uma situação de pobreza extrema. Segundo Santos, no Brasil, principalmente no Rio Grande do Sul, existem pessoas que foram para baixo da margem da sociedade. A precariedade mudou a forma de agir da Central Única das Favelas (CUFA), que passou a ser uma rede de arrecadação e distribuição de doações para a população em situação de vulnerabilidade.

A missão de fornecer ajuda tornou-se ainda mais complicada durante a crise sanitária. Questionado sobre o assunto, Santos afirmou que a exposição é um dos maiores desafios da assistência social: “o vírus não tem preconceito e não escolhe ninguém. O medo se tornou constante, ele é o nosso colega de trabalho”, comenta o gestor. Os desafios não param por aí. No início da pandemia a onda de solidariedade estava em alta. Agora, a organização passa por dificuldades em manter as doações constantes e o público engajado.

A invisibilidade da periferia

Mais de 13 milhões de pessoas vivem em favelas no país, em muitos casos sem acesso às condições básicas de saúde. Para o coordenador, a sociedade tem uma visão distorcida do que é a real necessidade dessas pessoas. As recomendações relativamente fáceis para combater o vírus causam enorme dificuldade para essa população. A maioria vive em pequenas construções com cinco ou até dez pessoas. Esses indivíduos são os que “estão completamente vulneráveis.”

A pandemia atinge agressivamente essa parte da sociedade, que normalmente depende de trabalhos informais e não tem a opção de se resguardar. “Não estamos falando de um risco de contaminação que vai vir por festa clandestina, descuido ou negligência. Estamos falando de uma população que precisa pegar ônibus todo dia. O ônibus lotado não é uma opção”, reforça o coordenador.

Políticas públicas de solução

As políticas públicas de redução das desigualdades podem significar a sobrevivência de milhares de pessoas diante desta crise. Santos também salienta a importância da participação da sociedade civil na luta: “a mudança não vai dar certo se o cidadão não tomar o problema para si e não entender que isso faz parte da sua rotina e construção. A periferia não tem tempo para esperar.”

A estrutura social brasileira ainda é definida por desigualdades de raça, classe e gênero. Segundo o IBGE, o Brasil ocupa os primeiros lugares no ranking mundial da desigualdade. Durante a entrevista, Paulo ressaltou a importância de mudar o olhar e a forma de agir nas partes mais vulneráveis dessa estrutura. “Precisamos começar a enxergar as pessoas que precisam ser atendidas como parte da solução e não do problema”. Ele ainda enfatiza que as pessoas não querem viver de doações. Querem empregos e possibilidade de uma renda digna.

As fronteira geográficas e sociais

Perguntado sobre as semelhanças entre as comunidades e periferias do Brasil, o coordenador afirma que as fronteiras geográficas não extinguem a vulnerabilidade. Ele enfatiza a enorme desigualdade no Rio Grande do Sul. “Na região das Ilhas, em Porto Alegre, de um lado há mansões com lanchas, e do outro, pobreza extrema”, completa.

A CUFA e como ajudar

A CUFA é uma organização que promove projetos sociais para integração e inclusão, com atividades nas áreas de educação, lazer, esportes, cultura e cidadania.

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Autores:  Valentina Biason e Vinícios Borges.

Fonte: PUC-RS.