Volta às aulas pode ser um problema para crianças e adolescentes

METODISTA
Dificuldades de adaptação e ansiedade são comuns no início do novo ano letivo
Volta às aulas pode ser um problema para crianças e adolescentes
O inicio de fevereiro é marcado pela volta às aulas na maioria das escolas – Victor Augusto/RRO

O início de fevereiro é marcado pela volta às aulas na maioria das escolas e universidades no Brasil. É também o momento em que algumas crianças e adolescentes podem ter dificuldades de adaptação diante da rotina escolar, seja por estarem em um ambiente novo ou até mesmo mudança de turno. A estudante Carla Beatriz Arisa, 16, que até o ensino médio tinha trocado muitas vezes de escola,  é um desses exemplos: “sempre fui muito tímida e tinha dificuldade para fazer amizade, além de problemas para me adaptar com o ensino que muitas vezes era mais difícil”, complementa.

Carla, que já passou pelos Colégios Fênix Santa Paula (SCS) e São Carlos (SBC), entre 2013 e 2017,  diz que só conseguiu atenuar a ansiedade para se aproximar mais das pessoas e se dedicar mais aos estudos após ouvir o conselho da mãe: “minha mãe dizia que era fase de adaptação, que não era pra eu ficar me pressionando tanto; aí eu fui puxando assunto com o pessoal até me enturmar”, conta.

A tranquilidade dos pais conta muito para uma melhor adaptação. Os pais devem mostrar tranquilidade, confiança e conversar com os filhos sobre a nova etapa, além de dar ênfase às novas conquistas e possibilidades que eles encontrarão.

A psicopedagoga Rosângela Sousa diz que o principal problema de adaptação na volta às aulas, considerando o início de semestre, é o enfrentamento a uma situação completamente nova e a insegurança de sair de um estado conhecido para um completamente novo. “No caso da educação infantil, eles podem se sentir desprotegidos longe do núcleo familiar., sendo que esta situação leva a um estresse que causa choros e medos excessivos. No caso dos adolescentes e pré-adolescentes a ansiedade é uma característica marcante nas situações de volta às aulas”.

A profissional também conta que o fator idade é uma marca de ansiedade em adolescentes, já que jovens estão em construção de seus sentimentos. “Não são adultos e também não se consideram crianças, assim costumam ter maior barreiras na construção do novo ambiente”. E completa afirmando que as escolas devem estar adaptadas para receber os alunos em cada faixa etária, ou seja, precisa ser acolhedora e se mostrar disponível para atender as necessidades das crianças. “Por exemplo, na educação infantil ter professores que abracem, que peguem no colo de modo que a criança sinta a mesma proteção que tem em casa. No caso dos mais velhos é importante ter profissionais que conversem e busquem estreitar os laços de confiança entre escola e aluno”.

*Esta reportagem foi produzida por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo

Autor: Victor Augusto

Fonte: Rudge Ramos Online/Metodista