Violência doméstica cresce 17,21% em São Bernardo do Campo

METODISTA

Casos na região se tornam mais comuns e chamam a atenção das autoridades e especialistas

Violência doméstica cresce 17,21% em São Bernardo do Campo
A dependência da mulher com o companheiro é um dos fatores para as agressões continuarem – Foto: Pixabay

São Bernardo do Campo não foge do aumento de casos de violência doméstica no país que segundo estudo da Datafolha, 27,4% das mulheres brasileiras sofrem com agressões dentro de casa. Dados da polícia civil em São Bernardo, no mesmo período do primeiro dia do ano até o fechamento desta matéria, tiveram 703 casos na cidade, enquanto em 2018 houveram 583 casos, um aumento de 17,21% no município.

Casos como o de domingo (07), em que um homem fez a esposa de refém no bairro do Alvarenga estão crescendo. As maiores vítimas são as mulheres, de acordo com o estudo da Datafolha de 2018, 1,6 milhão foram espancadas ou sofreram outro tipo de agressão dentro de casa.

A socióloga Cristiane Gandolfi aponta que um dos maiores motivos para o aumento é a crise econômica, “possivelmente as repercussões da recessão também estão impactando as relações afetivas familiares”. Segundo Cristiane, a mentalidade da cultura da força e do homem como provedor da casa “produz mais violência, diante da cultura patriarcal, a situação se aprofunda”.

O tipo de relação que a mulher tem com o homem é fator crítico para casos de violência, para a advogada e policial civil Ena Guimarães, a mulher pode ser dependente do companheiro material, emocional ou psicologicamente. No entendimento da advogada, essas situações de dependência devem ser trabalhadas junto do casal para se evitar qualquer tipo de violência, “identificado o tipo de dependência com o cônjuge, temos que anular isso, para fazer ela confiar em si e ter a coragem de denunciar.”

Ena também aponta que a prevenção da violência doméstica começa pela educação desde a criação, “muitos adultos cresceram pensando que as dificuldades são resolvidas pela violência e isso vem de casa”. Ela diz que projetos de mediação e com psicólogos poderiam ajudar a reverter agressões e indivíduos violentos.

*Esta reportagem foi produzida por estagiários da Redação Multimídia da Universidade Metodista de São Paulo

Autora: Luiza Lemos

Fonte: Rudge Ramos Online/Metodista