UnB está entre melhores universidades de países emergentes

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Estudo da Times Higher Education mapeou as melhores instituições de países em desenvolvimentos. Baixa colocação da UnB divide opiniões de alunos

A Universidade de Brasília (UnB) está entre as melhores instituições de ensino em países emergentes no ano de 2018. A lista, divulgada no dia 9/5, é iniciativa da Times Higher Education (THE), organização inglesa especializada em ensino superior. A UnB está numa faixa entre a 201ª e a 250ª posição no ranking, que conta com um total de 378 universidades mapeadas.

A partir da 200ª colocação, o mapeamento organiza as universidades em intervalos, de acordo com a média das pontuações atingidas por cada uma. O estudo da THE elencou instituições de 42 países, localizados em quatro continentes. A THE avalia as universidades listadas de acordo com os seguintes critérios: ensino, pesquisa, citações, perspectiva internacional e renda da indústria.

O Brasil conta com 32 instituições na lista, sendo o terceiro país mais citado no ranking. Em primeiro lugar está a China, com 63 universidades ranqueadas. A Índia vem logo em seguida, e têm 42 instituições listadas no documento. Apesar da boa colocação, a situação do Brasil não é das mais favoráveis: todas as universidades brasileiras presentes na classificação caíram posições em relação aos anos anteriores do estudo. De acordo com a THE, o fenômeno pode ser explicado diante das condições políticas e econômicas enfrentadas pelo país nos últimos anos.

Atualmente, a UnB sofre uma crise orçamentária resultante do corte de verbas disponibilizada pelo Ministério da Educação (MEC). As dificuldades financeiras têm gerado consequências: segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Universidade de Brasília (Sintfub), com o agravamento da crise, 530 funcionários terceirizados foram obrigados a assinarem cartas de demissão.

Além disso a UnB encara o encerramento de atividades do calendário acadêmico e a paralisação ou finalização de projetos que dependem da verba, como o Polo de Prevenção de DSTs da universidade. A instituição anunciou seu fechamento, que deve acontecer no próximo dia 30, em decorrência da demissão de estagiários que trabalham no local.

“Eu acho que entrar no ranking não é a questão. O problema são as adversidades políticas e sociais pelas quais a universidade passa.” Ian Alô, primeiro semestre de filosofia

A colocação da UnB em rankings como o da THE não parece um êxito para Ian Alô, estudante do primeiro semestre. Ele argumenta que a presença da Universidade de Brasília em listas que elencam instituições de alta qualidade não demonstra a verdadeira situação passada pelos estudantes, professores, terceirizados e servidores do local. “Eu acho que entrar no ranking não é a questão. O problema são as adversidades políticas e sociais pelas quais a universidade passa. A gente não tem investimentos…”, argumenta o estudante.

A situação é vista sob outra perspectiva pelo estudante João Otávio, do sexto semestre de Psicologia. Para ele, a presença da UnB no ranking da THE mostra que as atividades acadêmicas desenvolvidas na instituição estão ganhando notoriedade internacional. “Eu acho que é algo importante, porque demonstra que tem um reconhecimento do que é produzido dentro da universidade, dá um destaque bom para o Brasil”, explica. João também argumenta que a crise vivida pela UnB é alarmante. “Muitas universidades públicas estão paradas, sem dinheiro para sequer continuar com sua programação”, afirma o jovem. Entretanto, ele pensa que, mesmo com a crise financeira, a comunidade acadêmica deve orgulhar-se da colocação atingida. “Estamos numa situação ruim, mas tem que servir como incentivo para aumentar a influência da UnB dentro do sistema educativo brasileiro”, completa.

Apesar do momento delicado para quem estuda ou trabalha na Universidade de Brasília, a instituição continua se destacando com a qualidade dos trabalhos acadêmicos produzidos no local. Ainda em listagem  da THE, a UnB ocupa a 19ª posição no ranking que elencou as melhores universidades da América Latina em 2017. Além disso, de acordo com um mapeamento feito pela SciVal, ferramenta que analisa a realização de pesquisas de universidades brasileiras, os artigos científicos produzidos na UnB foram citados 45% a mais do que a média de outras universidades do país, como a Universidade de São Paulo (USP), no ano de 2016.

Agora, a dúvida entre os estudantes, professores e servidores da UnB gira em torno do futuro. Resta saber até quando a universidade terá condições de manter a qualidade dos estudos realizados, diante da crise financeira que toma conta da instituição atualmente.

Autor: Rebeca Borges

Fonte: UnB