Uma reflexão sobre os Jogos Mundiais dos Povos Indígenas

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Com o irônico slogan “Agora somos todos indígenas” o I Jogos Mundiais dos Povos Indígenas está sendo realizado em Palmas, no Tocantins. Como já é sabido, no Brasil eventos esportivos servem para encobrir e distrair a população das questões políticas e sociais do país.

Se por um lado, é preciso reafirmar a importância do evento para a divulgação da diversidade cultural indígena, por outro, deve-se atentar à atual situação dos índios no Brasil.

Logo na cerimônia de abertura dos Jogos a presidente Dilma Rouseff foi vaiada, o fato recebeu uma cobertura discreta nos impressos. O que vale debater aqui é a razão e motivação dessas vaias.

Nesse exato momento ocorre no Mato Grosso do Sul uma guerra entre uma das maiores populações indígena brasileiras, os Guarani-Kaiowá, e setores ligados ao agronegócio. Este mesmo povo indígena se posicionou contra a realização do evento.

“Anunciamos que não participaremos deste palco forjado e mentiroso e afirmamos que enquanto esta for a postura do Brasil o único jogo que jogaremos será o de recuperar os nossos territórios e partir para nossas retomadas mesmo que isto custe todas as nossas vidas, já que o país parece assistir calado, da arquibancada, o extermínio dos Guarani e Kaiowá.”

Outro fator de destaque, é a possibilidade de que a PEC 215, que transfere da União para o Legislativo a prerrogativa de demarcar terras indígenas, venha a ser em breve aprovada pelo Congresso. Mas como dizem os organizadores do evento: “o importante não é competir e sim celebrar”. Então vamos celebrar o genocídio dos povos originários e o massacre dos direitos constitucionais dos mesmos.

Beatriz Pereira é jornalista e faz parte do projeto Focas de Jornalismo do Clube do Jornalismo desde 2015.