Tradição no bairro ajuda comércio a enfrentar a crise

Estabelecimentos investem na qualidade do produto para garantir a confiança do cliente

Tradição no bairro ajuda comércio a enfrentar a crise

A crise econômica que assola o Brasil impacta diariamente os diversos setores da economia. No comércio, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 226,5 mil lojas fecharam em todo o país, desde 2015. Só no primeiro trimestre de 2018, foram quase 10 mil estabelecimentos que encerraram as atividades. Tradicionais no Rudge, as pequenas lojas apostam na confiança dos clientes para enfrentar períodos difíceis.

Um exemplo é a Avícola Maravilha, situada há 39 anos no bairro. Gélcio Saturo, atual proprietário, explica que a loja sempre foi uma empresa familiar, já que ele herdou de seu pai, que herdou o local de seu avô. “A crise afetou demais e tivemos uma queda de aproximadamente 30% do público”. Segundo Saturo a maior salvação do estabelecimento foi a tradição na região e a confiança dos clientes na qualidade. “A gente tenta sempre inovar, trazer coisas diferentes, e já oferecer o produto assado, pronto para o consumo”. 

Essa confiança dos consumidores é resumida pelo contador Paulo Assunção, que já frequenta a avícola há mais de 20 anos. “O produto é bom, nós conhecemos a procedência, os preços e principalmente a confiança. Sabemos da qualidade”.

Já a Merci Discos, loja de CDs e DVDs que está há 58 anos no bairro, além da crise, a questão da pirataria e as novas tecnologias na distribuição de música atrapalham o negócio. “A gente está se segurando pelo tempo e por nossa estrutura”, diz o proprietário Sergio do Anúncio. De acordo com ele, a loja sobrevive graças à fidelidade dos clientes. “Nós estamos atendendo a terceira geração de clientes”.

Na Drogaria Mesquita, Elvaldo Mesquita, proprietário do local, conta que o fato de a farmácia funcionar há 35 anos faz com que as pessoas conheçam e confiem. “Temos clientes assíduos, que por nos conhecerem preferem vir aqui, em vez das grandes farmácias. E isso ajuda”. 

Siomara Aparecida, sócia-proprietárioa do Laticínios Luso Brasileiro, mercado situado desde 1985 no bairro, explica o principal motivo de o público preferir seu estabelecimento. “Nós fatiamos na hora, vendemos uma mercadoria boa e de qualidade, por isso os clientes preferem a gente aos grandes mercados e confiam nos nossos produtos”. 

Possuindo uma sede de varejo, e uma de atacado, ambos situados no Rudge, Siomara conta que a crise econômica não teve tanta influência no varejo, porém, afetou o atacado. O ponto principal da queda não foi a diminuição das vendas, e sim os inadimplentes, que compravam e não pagavam. “Nós passamos a escolher melhor os clientes, e não fazer negócio com quem nós sabíamos que não iria nos pagar”.

Cliente da loja há mais de sete anos, o secretário escolar Marcos Vinicius Zucateli conta que o fator principal de tanta confiança é o preço e a qualidade da mercadoria oferecida. “Nos grandes mercados, eles vão vender um produto mais caro e no máximo da mesma qualidade”. Zucateli também deu sua opinião sobre o porquê de tantos estabelecimentos terem sidos fechados. “Hoje em dia, os supermercados são mini shoppings, mas o comércio de bairro é muito importante, fortalece a região”.

*Esta reportagem foi produzida por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo

Autor: Gabriel Rezende

Fonte: Metodista