Toca-discos viram artefatos inacabáveis

METODISTA

Toca-discos viram artefatos inacabáveis

Um toca-discos não serve apenas para ouvir música. Ao longo dos anos, se tornou um objeto de valor sentimental. Hoje é uma peça clássica na maioria das vezes ornamentando a sala. O equipamento pode ser considerado ultrapassado por alguns, mas para outros guarda lembranças e é indispensável para quem curte ouvir boa música no disco de vinil.

Outro ritual de quem mantém as tradições é escolher um disco na estante, limpá-lo e colocar a agulha para tocar. Essa atividade tem um charme que o Ipod e o mp3 não têm.

Quem retomou o bom e velho toca-discos é a professora de inglês Patricia Petroni, 47. Ela disse que ganhou o aparelho do pai na adolescência, como presente de aniversário. Mas que durante anos ficou guardado, pois ela havia adquirido outro toca-discos com suporte para CD. Depois, um aparelho de CD ROM, em seguida um mp3.

Recentemente, Patricia resolveu colocar o presente do pai para funcionar. “Nunca pensei em me desfazer dele. Decidi que vou usar e ouvir os discos. Tenho um monte de disco legal, que não vou baixar em mp3, e não há porque eu baixar se eu já os tenho”, conta Patricia.

Para a professora de inglês que mora em São Caetano, colocar o toca-discos para operar novamente pode ser uma novidade. Mas não é a mesma situação de Alberto de Sousa Leite, 64, que trabalha há 47 anos com venda de toca-discos, na região da Santa Efigênia. Alberto conta que a procura pelo aparelho aumentou desde quando a produção do vinil voltou ao mercado, ele vende em torno de 20 toca-discos por mês.

Hoje em dia, existem modelos como, por exemplo, com saída de USB para conversão de arquivos em mp3 e toca-discos portáteis que são objetos de desejo e podem ser facilmente conectados a alto-falantes.

Na loja em que Alberto trabalha, há modelos de toca-discos desde os mais simples aos mais sofisticados, aparelhos para uso doméstico e até profissional. Ele também tem o seu. “O meu é um antigo, uma vitrolinha da Philips, foi a primeira que ganhei na vida.”

Hamilton de Souza, trabalha há 20 anos consertando toca-discos, também na região da Santa Efigênia, e disse que sempre da para deixar os aparelhos como novos. “Se der problema no motor, tem como trocar, se quebrar a agulha, substitui por outra, se a madeira estiver ruim, o marceneiro reforma”.

Segundo Hamilton, as pessoas preferem reformar o aparelho da família, porque o custo pode tornar o desejo de ouvir os LPs um pouco árduo. “Para ter um som de qualidade é necessário um amplificador com entrada phono magnético, duas caixas de som mais o toca-discos, que custa no mínimo R$ 1,2 mil.”

Na loja de Hamilton, entram até oito aparelhos por dia para conserto, uma média de 30 por semana. Ele conta que existem pessoas que procuram por toca-discos com entrada USB, onde podem gravar seus LPs, no computador ou direto no pen drive, mas há aquelas como ele que são avessos a tecnologia e preferem o bom e velho toca-discos tradicional.

“Ainda não inventaram mídia para superar a qualidade analógica do disco de vinil e a sua durabilidade pode ser infinita se bem armazenado”, concluiu Hamilton.

Texto: Taynara Lima

Fonte: Metodista