Sono é essencial para bem-estar e saúde

Aguentar a rotina pode ser uma tarefa difícil quando se dorme pouco, seja por insônia ou por ter uma agenda tão corrida. De acordo com o psiquiatra da Associação Brasileira do Sono (ABS) Daniel Suzuki, não descansar o necessário por dia pode trazer complicações como dificuldade de concentração, baixa produtividade, diminuição de reflexos e maior propensão de acidentes no trabalho e no trânsito.

Mas quantas horas é preciso dormir por dia? Ainda segundo o psiquiatra, fica difícil de definir um tempo de sono que sirva para todos. Cada um tem um sistema biológico diferente. As crianças, por exemplo, precisam de mais horas de sono. Quanto aos adultos e idosos, a média recomendada é de seis a dez horas, porém há exceções. “Há pessoas com necessidade de cinco a seis horas, que são chamados de dormidores curtos. Mas também há os dormidores longos, que precisam descansar mais que dez horas por dia. Menos que isso, o funcionamento da pessoa durante o dia fica prejudicado”.

A falta de tempo é um fator decisivo. É o caso do estudante Kléber Paulino, 20, que mora em Ribeirão Pires, estuda em São Bernardo e trabalha em São Paulo. Com o tempo tão apertado, Kléber só consegue dormir cinco horas por noite.  “O que é mais difícil é a faculdade e o trabalho, que juntos ficam pesados. É cansativo, tanto para a mente quanto para o corpo”, conta. O estudante percebe que o sono provoca grandes diferenças no seu humor. “Quando consigo dormir mais, nos finais de semana, por exemplo, eu acordo muito mais disposto, faço mais atividades, brinco mais com as pessoas. É totalmente diferente”.

O estudante Maxwell Souza, 19, também morador de Ribeirão Pires, passa por uma situação semelhante, conseguindo descansar apenas quatro horas por dia. Por estudar e trabalhar em lugares distantes de onde mora, não sobra tempo para dormir. “Isso me afeta tanto fisicamente quanto psicologicamente, porque além da exaustão física, do cansaço, eu fico caindo de sono nos lugares e começo a ter perda de memória recente”.

Permanecer sem dormir adequadamente a longo prazo também gera consequências. De acordo com o psiquiatra Daniel Suzuki, a pessoa pode desenvolver maior propensão à obesidade, doenças cardíacas, diabetes, colesterol elevado e até mesmo AVC.

Quem também nota os efeitos que a privação do sono causa em sua saúde é a enfermeira Ana Paula Pereira, 42, que dorme apenas cinco horas por dia, isso quando não passa a noite em claro. Ela conta que tem dificuldade de pegar no sono com luzes acesas e divide o quarto com a filha, que mexe no celular de madrugada. “No meu dia eu até que consigo produzir, mas fico muito estressada. Fico irritada e não consigo me concentrar, como se estivesse ligada no automático”, declara.  

Nos casos de insônia, o psiquiatra Daniel Suzuki diz que é possível melhorar a qualidade do sono. Há tratamento com remédios, terapia comportamental-cognitiva e até mudanças comportamentais, tais como evitar cochilos ao longo do dia, não ser excessivo na cafeína e fazer exercícios físicos regularmente.

Autora: Daniela Pegoraro

Fonte: Metodista.