Smartphone: da ferramenta ao luxo

METODISTA

Smartphone: da  ferramenta ao luxo

Não é de hoje que os smartphones deixaram de ser uma ferramenta de comunicação para se tornar um artigo de luxo na mão das pessoas. Desde o lançamento da primeira geração do iPhone, da marca Apple, há dez anos, os aparelhos passaram a ser um objeto de desejo que causa histeria nos fãs a cada novo modelo.

Matheus Braz, 23, é um exemplo disso. Durante uma viagem a Miami, nos Estados Unidos, em setembro do ano passado, o estudante passou quase seis horas na fila para comprar o iPhone 7 Plus no dia do lançamento mundial.

“Sou meio viciado em iPhone, tenho que admitir. Mas a viagem (aos EUA) não foi algo planejado para comprá-lo. Simplesmente aconteceu e eu tive a sorte de ser um dos primeiros do mundo a tê-lo”, afirmou.

Segundo ele, já são sete anos de fidelidade à marca. “Desde que comprei o 4 – modelo lançado em 2010 –, troco o meu todos os anos logo que um novo chega ao Brasil. No caso do último, comprei quase dois meses antes do lançamento oficial na Apple brasileira.”

A ‘febre’ de Matheus por smartphones da Apple, porém, não é algo incomum. De acordo com um estudo sobre consumo e preferência de compra em categorias diversas, divulgado pela agência norte-americana Ruby Media Corporation, o iPhone é o nono produto mais vendido no mundo inteiro.

Ao todo, já foram comercializados cerca de 520 milhões de aparelhos desde 2007, números que chegam perto de produtos como o refrigerante Coca-Cola, o videogame Playstation e o carro Toyota Corolla, vendidos há muito mais tempo.

Mesmo com o iPhone em alta, outras marcas também entram forte na briga para tentar se tornar o sonho de consumo das pessoas. Nomes como o da sul-coreana Samsung, a japonesa Sony e as norte-americanas Motorola e Google tentam rivalizar com a Apple na venda dos aparelhos, fato que agrada, e muito, a recepcionista Vanessa Ramos, 28.

“Já tive vários, iPhone, Samsung, Nokia, Sony e mais uns cinco modelos diferentes. Não me importo com a marca, não. Gosto é de novidades. Funções diferentes, melhoras na câmera e tudo o que puder ter”, contou Vanessa.

A recepcionista ainda admite que troca seu smartphone a cada ano, mesmo diante da dificuldade financeira. “Por enquanto, não tenho a intenção de gastar em outra coisa, então sempre junto um dinheiro durante um tempo para poder ir na loja e pegar o lançamento. O problema é que eles estão cada vez mais caros.”

Valor de uma moto

Enquanto as montadoras Honda e Dafra vendem motos dos modelos Pop 100 e Zig 50+ a partir de R$ 4.050, os smartphones mais caros do mercado chegam a igualar e até superar esse valor. O iPhone 7, por exemplo, chega a custar cerca de R$ 4 mil mesmo tendo sido lançado em novembro de 2016. O Galaxy S8+, da Samsung, lançado em abril, também pode ser comprado pelo mesmo valor.

“É meu objeto de desejo. Não tenho gosto por carros, motos, joias ou outras coisas. Gosto mesmo é de celular e não tenho receio de gastar um bom dinheiro para comprar o top de linha”, admitiu Rodrigo Tucci, 28.

O consultor de tecnologia ainda justifica o investimento em um smartphone e brinca ao falar dos valores. “Não vou precisar trocar óleo, gasolina e nem ter manutenção. Prefiro andar de metrô e ter meu iPhone 7 no bolso. Mas que ele poderia custar um pouco mais barato, poderia.”

Texto: Raphael da Silva

Fonte: Metodista