Sites e aplicativos monitoram candidatos eleitos e despertam interesse pela política

Para especialista, democracia funciona quando há maior diálogo entre eleitor e o ocupante de cargo público
Sites e aplicativos monitoram candidatos eleitos e despertam interesse pela política
Monitora Brasil e Vigie Aqui são exemplos de projetos que nasceram com o objetivo de conscientizar os cidadãos sobre política. Arte: José Reis/RRO

As eleições 2018 ficaram marcadas pela alta produção e compartilhamento de conteúdo específico nas redes sociais. No Brasil, as buscas na web por temas relacionado à política cresceram 140% em comparação com as eleições de 2014, segundo o Google Trends, ferramenta da empresa para monitorar os termos buscados no site.

Apesar da busca elevada no período eleitoral, uma pesquisa da Ideia Big Data apontou que 79% dos eleitores brasileiros não se lembram dos candidatos que votaram para o Congresso Nacional em 2014 e somente 15% afirmam acompanhar o desempenho dos parlamentares que ajudaram a eleger.

“Essa falta de memória pós eleições afasta muito a política do cidadão comum, influenciando todo o cenário nacional. Para que a democracia funcione é preciso ir além do voto e isso implica em um grau de participação, feita por meio do acompanhamento e diálogo com o candidato eleito.”,alerta o cientista político Alcindo Gonçalves.

Para tentar driblar essa falta de interesse pelo acompanhamento da atuação dos eleitos, algumas ferramentas e iniciativas cidadãs vieram para facilitar a fiscalização desses parlamentares. Um exemplo é o aplicativo Monitora Brasil, que permite acompanhar os gastos, faltas, emendas e projetos de cada parlamentar.

Geraldo Augusto de Morais, criador do aplicativo em 2013, afirma que “o objetivo maior é tentar trazer o tema político pra vida das pessoas. Fazer com que, principalmente os jovens, se engajem mais na política. O aplicativo tenta trazer as informações que são produzidas pelos parlamentares, e mostrar de uma forma mais amigável no celular.”

Outro projeto com intuito semelhante é o Vigie Aqui, que foi criado em 2016 numa  parceria do Instituto Reclame Aqui com a agência Grey, como uma extensão para navegador Chrome, que pinta de roxo o nome dos políticos que estão cadastrados no sistema e que são alvos de processos judiciais. A evolução do projeto foi o Detector de Ficha de Político, um aplicativo que foi lançado no primeiro trimestre de 2017 e mantido até o momento.

Mariana Santos, responsável pela operação do projeto conta que “o objetivo do Detector de Ficha de Político é compilar as informações públicas sobre os processos judiciais dos políticos para a população. Os picos de acesso neste ano foram na semana das votações. No sábado pré-eleições e domingo das eleições, tivemos mais de um milhão de acessos por dia.”

Atualmente, o aplicativo já tem mais de um milhão de downloads na Play Store e Mariana explica que já estão trabalhando nas atualizações para que os usuários possam continuar acompanhando a ficha dos políticos após o período eleitoral.

Além do Monitora Brasil e Vigie Aqui, outros sites e aplicativos também oferecem serviços semelhantes. Confira:

Câmara dos Deputados:

O Boletim Eletrônico Acompanhe seu Deputado é um serviço oferecido pela Câmara dos Deputados a qualquer cidadão. Usando este serviço, você receberá quinzenalmente informações por email sobre a atuação de um ou mais deputados, tais como discursos, notícias, movimentação parlamentar, votações, proposições apresentadas e relatadas.

Senado:

No site do Senado, é possível acompanhar a agenda do plenário, as atividades dos senadores e a cobertura das principais notícias do Legislativo pelas mídias do próprio site. Com o Portal e-Cidadania, o cidadão pode propor uma lei e opinar sobre os projetos em tramitação.

Atlas Político:

No Atlas Político, as principais notícias sobre política da mídia tradicional são reunidas e divulgadas periodicamente.

Meu Município:

O site organiza e disponibiliza de forma simples os dados de todos os municípios brasileiros de maneira fácil de acompanhar e comparar o quanto uma prefeitura arrecada e gasta do dinheiro público.

 *Esta reportagem foi produzida por estagiários da Redação Multimídia da Universidade Metodista de São Paulo

Autora: Flávia Fernandes

Fonte: Rudge Ramos Online/Metodista