Sebos do ABC se reinventam para sobreviver na pandemia

Proprietários e clientes se adaptaram, e vendas on-line se tornaram mais populares.

Viver do comércio de livros nunca foi fácil. E em meio a uma pandemia, que obriga a sociedade a aplicar restrições de mobilidade, a situação se agrava. Por um lado, alguns leitores têm mais tempo em casa para se dedicar a leitura. Mas por outro, ir até uma livraria ou sebo e desbravar as produções literárias se torna mais difícil ou inviável. 

Em meio a mudanças constantes em relação às medidas restritivas, os donos de comércios tiveram que se adaptar a novos meios de administrar seu negócio. Para resistir a essa crise, os donos dos sebos no ABC tiveram que se reinventar, utilizando sistemas de drive-thru, vendas online e até mesmo delivery. 

Segundo Rafael Kairof, da Banca Mikei, tradicional sebo em Santo André, a interação com o público sempre foi o forte do seu comércio: “A identidade da banca Mikei sempre foi na forma em que o cliente ia presencialmente olhar os produtos. Com a pandemia, migramos as vendas para o Mercado Livre. Fazíamos vendas no site, esporadicamente, mas com a pandemia isso se intensificou. A forma de entrega é principalmente por correios, e ocasionalmente feito por take away, retirada na frente da banca.” 

Apesar da distância física, o contato com os clientes se manteve: “A questão da identidade da banca Mikei não ficou diferente. Esses encontros na banca com os clientes foram para o Instagram, onde comecei a conversar, fazer enquetes, oferecendo produtos aos clientes”, conta. 

Uma pesquisa feita pelo instituto Nielsen Book em parceria com o Sindicato Nacional de Editores de Livros (SNEL) mostrou que houve um aumento de 38,8% nas vendas de livros em relação a março do ano passado – e muitas dessas vendas estão sendo realizadas de forma online. Essa percepção foi relatada pelos proprietários de sebos, que afirmam um sutil aumento nas vendas. 

Margareth Laise Farago, do Sebo Rudge Ramos, conta que passou por dificuldades no início da pandemia, mas que se surpreendeu na reabertura dos comércios: “Quando voltamos, realmente aumentou bastante a procura por livros. Acho que é um resultado da pandemia, das pessoas ficarem mais em casa. A literatura estrangeira começou a vender mais” 

Também houve mudanças no perfil do público nas plataformas digitais. “O nosso cliente do Estante Virtual (portal de vendas online) é um cliente diferente do que vem na loja. No site cadastramos os livros mais raros, mais caros, coisas que os outros sebos não tem”, conta Margareth. Mas não foi apenas em São Bernardo que se observou essa mudança. Eleno da Silva, dono do sebo Campanário, em Diadema, viu que o público que antes era bem diversificado, foi se afunilando: “Fisicamente, atendíamos todos os públicos; já pela internet, o perfil é geralmente infanto-juvenil ou universitários, para livros técnicos. Houve também um aumento por parte do público mais velho, que utiliza o sistema de retirada, ou adquire online.” 

Quando questionados sobre as expectativas em relação ao pós-pandemia, os entrevistados mostraram positividade. Eleno acredita que o público tende a crescer ainda mais: “Percebi que muita gente migrou para o livro digital, aproveitando a oportunidade de não precisar ir à loja, mas acredito que após a pandemia, a procura pelos livros físicos aumentará.” Já Margareth tem esperança de que a população se tornará mais adepta à leitura: “O povo brasileiro não é um povo que lê. Eu espero que, por conta disso, do povo ter ficado em casa, tenha aprendido um pouco mais, dando mais valor à leitura.”

Autores: João Martins de Figueiredo Neto, Lucas Teixeira de Oliveira e Luiz Fernando Amorim.

Fonte: Metodista.