Restauração de carro antigo chega a custar o valor de um novo

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A paixão pelos clássicos é única, e pode fazer colecionadores gastarem bastante dinheiro na hora de fazer a restauração ou a manutenção. Segundo Adilson Scarciofolo Artiesi, proprietário e pintor da funilaria Auto Pintura Modelo em São Caetano, a restauração de um carro antigo pode ser demorada e sair cara.

“O tempo de restauração depende do que o cliente vai fazer, mas pode levar de três meses a um ano ou até mais. Já o preço pode variar muito, se for uma restauração completa chega a custar de R$70 mil até R$100 mil”, explicou Scarciofolo.

Rogério Toshio Doy tem 46 anos, mora em Suzano e é professor de dança de salão em São Bernardo. Sua paixão veio por meio do seu pai que tinha um Opala e eles passavam um tempo juntos fazendo a manutenção no carro.

Há oito anos, Toshio comprou uma Mercedes antiga por um preço acessível e ficou cinco anos com ela. Decidiu vender e como estava difícil, conseguiu fazer uma troca com um Opala 1976, seu sonho de consumo. O Opala que Toshio adquiriu já estava restaurado. O modelo que antes era um “De Luxo” original com um motor de quatro cilindros virou um com seis. Mesmo já restaurado, o veículo precisou de alguns ajustes na injeção eletrônica.

Segundo ele, a manutenção de carros como Opala e Caravan não é cara, pois ainda se encontram peças com facilidade, o que não acontece com carros importados. “Modelos importados ou como o Alfa Romeu, Cadilacs e Impalas antigos, pode ser muito difícil encontrar as peças necessárias e nesses casos as pessoas acabam adaptando de outros modelos.”

O que muita gente não sabe é que a restauração é um processo bem diferente de uma reforma, principalmente nos custos. “Em uma restauração você deixa o carro só na lata, sem fiação, sem painel, sem nada. É mais profundo e fica em torno de R$25 mil ou R$30 mil, já na reforma você pega o carro do jeito que está, lixa e manda pintar e sai em torno de R$5 mil”, afirmou Toshio.

Marcelo Cardoso Nietto, 42, comprador e morador do bairro Jardim, ABC, em Diadema, é apaixonado pelo seu Fusca 1968 que tem o nome de Bono Volks, em homenagem ao vocalista da banda U2, da qual Marcelo é fã. Bono Volks foi adquirido em 2003, estava em bom estado, mas na época carros antigos não eram valorizados e ele foi comprado por apenas R$2,5mil.

Após 10 anos, ele foi para a restauração, pois já estava enferrujando e com a pintura fosca. Essa restauração não saiu barata. “Foram gastos R$37 mil por incrível que pareça, pois troquei todas as peças por novas”, contou Nietto.

Nietto não tem intenção de vender o carro por valor nenhum. “Não vendo, não. Ele faz parte da minha família, passamos muita coisa legal juntos e até alguns apuros, o valor sentimental por ele é muito grande”, explicou o proprietário.

 

 AUTOR: Karine Manchini
FONTE: Metodista