Recorde: segundo o IBGE desemprego entre mulheres chega a 17,9%

Taxa entre os homens foi de 12,2%, abaixo da média geral do país que foi de 14,2% no primeiro trimestre de 2021

Como consequência da estagnação econômica do país devido à pandemia da Covid 19, o Brasil registra recorde no número de desempregados. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o indicador geral foi de 14,7%, no primeiro trimestre de 2021, maior taxa da história do instituto. 

Ao comparar as estatísticas entre gêneros, nota-se a diferença entre homens e mulheres que hoje estão em busca de um novo emprego. Enquanto a taxa entre os homens ficou em 12,2%, abaixo da média, entre as mulheres alcançou a marca de 17,9%. Sendo as mais atingidas, mulheres ocupam mais cargos no setor de comércio, por exemplo, um dos mais afetados pela pandemia. 

A atendente de secretaria Lysandra da Silva Almeida, 24, é moradora de São Bernardo do Campo e perdeu seu emprego em março deste ano. “Já estava acontecendo cortes de funcionários desde o início da pandemia, mas pouco mais de um mês antes da minha demissão ocorreu a troca de gestão, talvez isso tenha motivado”, diz. Segundo ela, estava acontecendo alguns conflitos devido a essa mudança em sua antiga empresa, por conta disso queria sair. “Eu reagi de forma calma, fiquei preocupada com o alto nível de desemprego, mas fiquei tranquila por sair”. 

Lysandra conta que estava com alguns benefícios atrasados enquanto estava na empresa, inclusive seu dissídio. Atualmente está recebendo seguro desemprego (até setembro), mas conta que deseja recolocar-se no mercado de trabalho antes do término, mas desabafa. “Infelizmente o mercado de trabalho para todas ainda é muito desigual, as mulheres sofrem muito machismo”, finaliza. 

Já a vendedora Maria Cláudia Batista, 23, também de São Bernardo, foi demitida em janeiro. “Eu não queria sair, confesso que fui até que pega de surpresa, mesmo sabendo que a loja já não estava indo tão bem por causa da quarentena. Fizeram corte de funcionários e eu estava no meio”, relata. Para ela, a demissão veio em mal momento já que sua renda era exclusiva do seu antigo emprego e mesmo que esteja recebendo o seguro (até julho) fica preocupada com sua situação financeira daqui para frente. 

“Eu já estou procurando um novo trabalho, não quero ficar dependendo só do benefício, mas é difícil conseguir um novo emprego. Eu entrego currículo, me cadastro em sites que divulgam vagas, mas ainda não tive retorno nem para fazer entrevista”, declara Maria Cláudia. A vendedora mora com sua mãe, como está no fim do seu benefício, seu maior receio é de não conseguir ajudá-la financeiramente, já que sua mãe, hoje, é a única empregada em sua casa. 

A taxa de desemprego maior entre as mulheres indica que elas estão sofrendo mais tanto para permanecer quanto para conseguir novos empregos, segundo o economista e professor de ciências econômicas da Universidade Federal do ABC Fábio Terra. O especialista chama a atenção para o gênero feminino, que é maioria na população brasileira, e esse é um dos fatores que determinam uma média maior de demissões ou desocupações ao comparar com o sexo oposto. 

Além disso, o economista considera que os altos índices de desemprego têm ligação com o machismo cultural. “Não só em termos de ocupação da vaga, mas ela tem um salário menor que de um homem. É o esteio do lar, ela que cuida, que engravida, que amamenta, que têm licença maternidade, se o filho tiver algum problema de saúde é ela que acompanha”, observa. Segundo Fábio Terra, mesmo que a mulher seja a “coluna dorsal” de uma família, esses pontos acabam tornando-se desvantagens no mercado de trabalho. 

A pandemia só agravou um problema que já é recorrente no país, como explica Fábio. “Por conta dessa composição cultural no mercado de trabalho, a situação atual implicou nas atividades econômicas, fazendo com que as atividades feitas por homens, como transporte por exemplo, tivessem mais demanda, já as mulheres perderam. Isso agravou o quadro estrutural de desigualdade de gênero”.

Autor: Karina Crisanto.

Fonte: Metodista.