Quarentena e distanciamento social prejudicam a capacidade do ser humano se relacionar

Contato físico é essencial para as pessoas poderem socializar.

Há mais de um ano que o planeta entrou na pandemia e o ser humano diminuiu exponencialmente o contato físico entre si. Respeitando as medidas sanitárias recomendadas por especialistas da saúde, as pessoas entraram em quarentena e tiveram uma drástica redução no contato com outros. 

Nesse contexto de distanciamento, as pessoas estão perdendo gradualmente a habilidade de se relacionar, seja ela amorosamente, por amizade ou familiar. Em pesquisa feita por especialistas da área da psicologia, até mesmo o ato de abraçar pode afetar a saúde mental. O estudo aponta que o abraço pode trazer diversos efeitos à mente e ao corpo, como limitar a raiva, mudança na respiração e batimento cardíaco, além de ampliar sensações prazerosas e amorosas.

Destacando a importância do relacionamento e contato físico, a psicóloga e moradora de São Bernardo Rosana Aparecida Borges Poiani afirma que o ato de se relacionar é essencial para as pessoas. “O relacionamento é algo fundamental na vida do ser humano. Envolve uma questão de ter um sentimento de pertencer a algo ou alguém, além de ser uma avaliação de autoestima”, relata a doutora. Rosana também destaca que a quarentena está levando as pessoas à solidão, consequentemente tirando a habilidade de socialização e criando uma confusão de autoconhecimento.

Isabel Vitória Costa Fulchini (21), moradora de Santo André e estudante universitária, conta que era uma pessoa muito sociável com os outros, porém com a chegada da pandemia e a quarentena, a sua facilidade em se comunicar piorou. “Conversar com alguém virtualmente o tempo todo é cansativo. As nossas relações são baseadas na vivência que temos juntos, e sem esse contato o interesse de conversar com as pessoas por meios virtuais diminui cada vez mais”, afirma a estudante. Isabel diz que atualmente mantém contato físico somente com as pessoas do seu trabalho e com a família que mora na mesma residência.

Assim como existem pessoas que mantêm relações físicas ao mínimo, também há o grupo da sociedade que já retornou às atividades em coletivo. É o caso da Denise Aparecida de Miranda (47), esteticista e moradora de São Bernardo do Campo, que já tem contato com diversas outras pessoas fora do seu círculo familiar há 10 meses. “No começo de março de 2020, eu tive muito medo. Porém, após eu me restringir durante os quatro primeiros meses, eu já voltei a sair praticamente que normalmente”, conta Denise. A esteticista também destaca que, mesmo que suas práticas de socialização tenham retornado quase que como antes, ela toma cuidados que considera relevantes, como evitar encontrar com pessoas que trabalham com o público e sempre procura fazer exames do coronavírus em farmácias. 

Autor: Giovane Rodrigues.

Fonte: Metodista.