Piadas e montagens divertem e confundem internautas nas redes sociais

ESPM
                     

           Imagem da extinta página de Facebook “Senado Federel”, uma página de humor inspirada na do            Senado Federal.

Conteúdos falsos e informações inventadas circulam na internet há anos, mas ganharam destaque depois da eleição de 2016 nos Estados Unidos em que Donald Trump se tornou presidente dos EUA. Normalmente esse tipo de conteúdo é divulgado nas redes sociais para difamar alguns políticos e favorecer seus opositores. E lançar mão do recurso do humor tem sido uma das principais estratégias para alcaçar engajamento e compartilhamento nas redes.

Diversas páginas de memes, imagens de cunho humorístico, possuem grupos para que seus seguidores possam interagir entre si e também para produzirem mais memes. Algumas páginas fazem sátiras e piadas com política. No Facebook, uma das mais famosas é a Corrupção Brasileira Memes. E a criação de um conteúdo falso se tornou algo natural entre esses membros. O absurdo das informações com efeito cômico trouxe ao Sensacionalista, por exemplo, mais de 3 milhões de seguidores.

“Vivemos em uma era em que a quantidade de informações e pessoas impactadas por elas não tem precedentes na história humana”, explica Ricardo Fotios, gerente de conteúdo geral do UOL. “As redes sociais fazem esse papel de ampliação de alcance. Não é um comportamento novo, portanto, mas está mais abrangente”.

Montagem falsa em que Marcelo Freixo lamenta a morte do assaltante e pede punição para a policial.

Um exemplo é o tweet do Marcelo Freixo, candidato à prefeitura do Rio de Janeiro pelo PSOL na última eleição, que falava a respeito do caso da mãe policial militar que matou um jovem assaltante. Nele, Freixo lamentava a morte do rapaz e pedia punição para a policial. Pessoas compartilharam a imagem do tweet como se fosse verdadeira, mesmo que tivesse o selo escrito “Super Tweet Fictício”, satirizando o Supremo Tribunal Federal. A equipe de Freixo na rede social respondeu que a imagem era falsa e pediu para que fosse retirada de circulação.

Outro caso que teve grande repercussão foi o vídeo em que o Jornal Nacional anunciava a prisão do deputado Jair Messias Bolsonaro por racismo. O vídeo, no entanto se tratava apenas de uma montagem, na qual muitos acreditaram, mesmo com o selo d’água no canto superior esquerdo identificando as imagens vindas da Corrupção Brasileira Memes (CBM).

Páginas de humor na internet utilizam selos, imagens transparentes com o logo ou o nome delas para protegerem suas criações de possíveis plágios ou para evitar que outras páginas publiquem o conteúdo como se fosse delas. Mas mesmo com isso há indivíduos que ignoram o selo e tomam como verdadeira as informações ali presentes.

A revista Exame alterada para ficar com o conteúdo falso tinha intenção de enganar, tanto que não trazia qualquer selo ou algo que a identificasse como vinda da página de origem, o Partido Memista.

O objetivo dos criadores desse conteúdo muitas vezes é o de enganar os outros, apelando para o viés de confirmação. Por isso, grupos de família e de conservadores ou de extremistas são os alvos principais, pois há um consenso que esses lugares concentram mais pessoas propensas a compartilharem notícias falsas sem checarem as fontes. Como foi o caso da notícia de que estaria sendo implantada uma cota para gays no exército.

Não só o viés de confirmação, mas também a falta de tempo nos dias atuais e a quantidade enorme de novas informações que chegam até as pessoas contribuem para uma leitura superficial do conteúdo, como explica Rogério Christofoletti, jornalista, e autor de livros como “Ética no jornalismo” e “Mídia e conhecimento: percursos transversais”.

“As redes sociais contribuem para isso por funcionarem como bolhas ideológicas. São assim porque têm como objetivo criar um lugar acolhedor para evitar a evasão de usuários”, explica Christofoletti. “Ao compartilharem conteúdos que vão de acordo com o viés de confirmação delas, as pessoas não só reafirmam suas ideias, mas reforçam seus laços com suas comunidades que geralmente são essas bolhas”.

Ainda segundo ele, a depender de fatores como contexto, impacto, duração e engajamento das pessoas, uma “brincadeira” ou piada desse tipo pode acabar se tornando algo muito prejudicial. “Pode alcançar um nível de destruição de reputações, de erosão da privacidade alheia, de desorientação generalizada”, finaliza.

Por: Walter Niyama

FONTE: ESPM