Pesquisa realizada pela ANDIFES indica que mais da metade dos alunos das universidades federais é de baixa renda

A pesquisa realizada pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e o Fórum Nacional de Pró-Reitores de Assistência Estudantil (FONAPRACE), sobre o perfil do estudante de graduação nas universidades federais lançada na última quinta-feira (16) quando membros da Andifes se encontraram com o atual Ministro da Educação, Abraham Weintraub.

A reunião aconteceu semanas após Weintraub comunicar o corte de 30% em verbas destinadas à Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal da Bahia (UFBA) e a Universidade Federal Fluminense (UFF). Após a declaração, o ministro informou que corte afeta todas as universidade federais do País. Protestos foram realizados em todo o País. O Campus Online cobriu a manifestação em Brasília.

Das 65 instituições que participaram da pesquisa em 2018, a UnB obteve o percentual de 42,7% das respostas, ficando em 21º lugar.

Da estimativa de 38,603 alunos, 16.491 responderam a pesquisa. (Fonte: Andifes)

Segundo a Andifes, “as informações são fundamentais para gerar subsídios para a criação e manutenção de políticas públicas e diagnóstico de como está o corpo discente das instituições federais de Ensino Superior com a finalidade de auxiliar nas demandas de assistência estudantil”.

De acordo com dados da pesquisa, 26, 61% dos alunos têm renda de até meio salário mínimo, 26,93% têm renda de até um salário mínimo e 16,61% até um salário mínimo e meio. O total desses percentuais é de 70,2%. Em 2014, quando foi feita a última pesquisa, eles eram 66,2%. A UnB é a instituição que tem menos estudantes com esse perfil, levando em consideração cada estado.

“Fica evidente que as instituições federais ainda são frequentadas principalmente por pessoas ricas”, afirmou César Augusto da Ros, membro do FONAPRACE.

Além disso, a pesquisa indicou a principal dificuldade relatada pelos estudantes quanto ao desempenho acadêmico. Segundo eles, a falta de disciplina é a principal dificuldade, com 28,4% do total, seguida por dificuldades financeiras, 24,7%, e a carga excessiva de trabalhos na universidade, com 23,7%.

Sistema de cotas para escola pública

A Lei nº 12.711/2012, regulamentada pelo decreto 7.824/12 e conhecida como Lei de Cotas, garante que 50% das vagas nas universidade públicas do país sejam reservadas para estudantes que frequentaram o ensino médio em escolas públicas.

Desta porcentagem são subdivididos em: estudantes de escola pública com renda familiar bruta igual ou inferior a um salário mínimo e meio per capita, estudantes de escola públicas com renda familiar superior a um salário mínimo e meio e estudantes que se declaram pretos, pardos ou indígenas.

O sistema de cotas para o ingresso de alunos oriundos de rede pública de ensino na Universidade de Brasília (UnB) começou a ser aplicado a partir de 2013. De 9 mil alunos que ingressaram na UnB em 2018, 45% são de escolas públicas.

Em 2019, faz 16 anos que o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) da Universidade de Brasília aprovou a política que determinava um percentual de 20% do total de vagas no vestibular para cotas raciais na graduação. Hoje, o percentual específico para as cotas PPI – Preto, pardo e indígenas – é de 5%.

Na pesquisa da Andifes, entre os dados por cor, pardos e pretos, 60,4% dos alunos fizeram Ensino Médio exclusivamente em escola pública.

Diretoria de Desenvolvimento Social (DDS/UnB)

Assistência Estudantil atende cerca de 7 mil estudantes na UnB. (Os dados são referentes ao ano de 2019)

Na Universidade de Brasília, o órgão que faz a gestão e manutenção da Assistência Estudantil é a Diretoria de Desenvolvimento Social do Decanato de Assuntos Comunitários (DDS/DAC). A sede fica localizada no Bloco Eudoro de Souza (BAES), no Campus Universitário Darcy Ribeiro, Asa Norte.

Bloco Eudoro de Souza (BAES), prédio onde funciona a Assistência Estudantil na UnB. (Foto: Louani Badu/Campus Online)

Segundo informações da DDS, o dinheiro utilizado para o pagamento dos auxílios está estagnado no patamar de R$ 30,6 milhões desde 2014. Com esse valor, cerca de 7 mil estudantes recebem ajuda na universidade.

A política estudantil tem a finalidade de ampliar as condições de acesso e permanência na universidade pública. Além disso, trabalha o desenvolvimento de estratégias de inclusão social, democratização do acesso, permanência e formação acadêmica com qualidade. Com isso, evita-se a retenção e a evasão do estudante em situação de vulnerabilidade social e econômica.

A ex-aluna da Faculdade de Comunicação e ex-bolsista da assistência estudantil, formada em Comunicação Organizacional em 2018, Dayla Suênia contou um pouco da sua trajetória na Universidade: “Entrei na UnB no primeiro semestre de 2014. Participei do movimento Empresa Júnior por 1 ano e 8 meses. Também fiz dois projetos de pesquisa – PIBIC, participei da criação da Atlética de Comunicação – Hermética e fiz parte de uma Gestão do Centro Acadêmico de Comunicação – CaCom. Além da participação em projetos menores, como a Integrar, e ida em eventos acadêmicos. Eu participava de tudo que era possível dentro do Campus. Teria participado de muito mais projetos se tivesse mais oportunidade”, contou à equipe do Campus Online.

Segundo ela, a Universidade precisa se posicionar e evitar que os cortes orçamentais, como o bloqueio de verba realizado pelo MEC no último mês, ocorram. “Seja com greves ou com reuniões com os Governantes. Além do mais, a própria Universidade deve destacar a importância da assistência e os dados que comprovam a necessidade da mesma”.

Porém, a ex-estudante não acha que será o suficiente. Afirma ainda, que o estudante precisa mostrar a sua insatisfação: “demonstrar como os cortes podem afetar a permanência de alguns na Universidade, seja por meio de abaixo-assinados, manifestações e/ou greves”, defende.

Gabriel Reis, 23 anos, graduando de Letras-Tradução em Inglês e bolsista da assistência estudantil acredita que o estudante não tem muito poder para mudar essa situação dos cortes na Educação, mas a universidade pode. “A universidade deve manifestar que ela não faz balbúrdia e mostrar os êxitos em trabalhos, pesquisas, programas de extensão e etc (…)”, afirmou.

Confira os programas disponibilizados pela Assistência Estudantil:

Programa Bolsa Alimentação (graduação e pós-graduação): consiste no subsídio integral das refeições servidas pelo RU (café da manhã, almoço e jantar) aos estudantes participantes dos programas de assistência estudantil em todos os campi. Cerca de 7 mil estudantes são beneficiados.

Programa Moradia Estudantil: destinado a estudantes regulares de cursos presenciais da Universidade de graduação e pós-graduação stricto sensu que residam fora do DF e que não possuam imóveis no DF – 1.307 é o total de beneficiados que recebem o valor R$ 530,00 mensais para aluguel de residência.

Moradia em Casas de Estudantes: 330 estudantes vivem na Casa do Estudante da graduação na UnB (dois prédios de apartamentos situados ao lado do Centro Olímpico – CO) e 80 estudantes habitam a Casa do Estudantes da pós-graduação (um prédio na Colina). No total, 410 estudantes ocupam residências estudantis na Universidade.

Programa Auxílio Socioeconômico: consiste na concessão mensal de um auxílio financeiro de R$ 465,00 com a finalidade de minimizar as desigualdades sociais entre os estudantes da Universidade de Brasília e contribuir para a permanência e a diplomação dos estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica – 3.296 estudantes atualmente em atendimento.

Programa Auxílio Transporte: modalidade criada no segundo semestre de 2017, com o objetivo de atender uma demanda antiga dos estudantes que residem no entorno do DF e que tinham a intenção de permanecer residindo junto com o seu grupo familiar – 200 vagas.

Programa Auxílio-Creche: criado no 2º semestre de 2017 e tem a finalidade de custear parcialmente as despesas com creche (R$ 485,00 mensais para estudantes dos programas de assistência estudantil da Graduação que possuem filhos de zero até cinco anos incompletos de idade – 30 beneficiários.

Programa Auxílio Emergencial: destinado aos estudantes de graduação em situação de vulnerabilidade socioeconômica inesperada e momentânea e que, prioritariamente, não estejam inseridos em programas de assistência estudantil da Universidade. 325 benefícios pagos, em 2018, no valor de R$ 465,00.

Vale-Livro – Editora UnB: oferece cinco vales em cada semestre, que dão direito a 60% de desconto na compra de livros editados pela Editora UnB. O estudante deve retirar os vales na DDS e apresentá-los na compra dos livros.

Bolsa UnB Idiomas: Oferece uma vaga semestral para o estudante da assistência estudantil nos cursos ofertados pela UnB Idiomas. O processo de matrícula é divulgado no começo de cada semestre letivo.

(Fonte: Campus Online)

Autor: Ygor Wolf eLouani Badu

Fonte: UnB