Perca o medo do Machado!

MACKENZIE

Quem não teve que ler Machado de Assis quando foi à escola, provavelmente não foi à escola. Ter que ler Machado não significa tê-lo lido. Eu mesmo, na 7ª série tive que ler Memórias Póstumas de Brás Cubas. Não li. Achei chato e li um resumo da internet. Mas hoje, anos após o longínquo Ensino Fundamental, afirmo: seja feliz, leia Machado!

Machado de Assis talvez seja um dos maiores escritores que esta terra já viu. Não é exagero!. Mulato em tempos de escravidão, órfão de mãe e depois de pai, criado pela madrasta, alfabetizado na adolescência, e epilético no século XIX. Apesar de todos os obstáculos que a vida lhe propôs, Machado conseguiu tornar-se, para muitos, o maior nome da Literatura Brasileira, sendo lido e minuciosamente estudado até hoje.

Esta semana mesmo, enquanto voltava para casa de ônibus, vi um rapaz lendo Memórias Póstumas. Não resisti e perguntei a ele o motivo da leitura. Ele, rispidamente respondeu: Porque gosto!

Para a professora de Teoria Literária curso de letras do Mackenzie, e doutora em Literatura Latino-Americana, Ana Lúcia Trevisan, é inevitável a obrigatoriedade da leitura na escola. Para ela, todas as leituras devem ser bem conduzidas pelos professores, para que os textos sejam apresentados de uma maneira palatável aos alunos.

A professora Ana Lúcia afirma ainda que um dos caminhos para que Machado de Assis seja (ainda mais) apreciado pelo grande público é através dos contos que o autor escreveu. Certa vez, o escritor argentino Julio Cortázar, comparou a narrativa com o boxe e disse que “o romance ganha por pontos, mas o conto deve ganhar por nocaute.” Ou seja, enquanto os romances vão tecendo seus enredos ao longo de dezenas de folhas, os contos o fazem rapidamente em pouquíssimas páginas.

Diante disso, indicamos (sem spoilers) três contos para que você leia e inevitavelmente se apaixonoe pelo Machado:

A cartomante

Mais uma vez, Machado apresenta-nos um triângulo amoroso. Após anos distantes, Vilela se reencontra com seu amigo Camilo e apresenta-lhe sua esposa Rita. Traições, desconfiança, medo e suspense passam a povoar a vida de Rita e Camilo. Diante disso, surge uma cartomante que tenta, de certo modo, consolar o casal de amantes. À primeira vista, este conto pode parecer simples, mas certamente é um dos textos mais brilhantes do escritor.

Uns braços

Inácio, um adolescente de 15 anos, no auge da puberdade passa a trabalhar e morar na casa de Borges, seu solicitador.  Certa vez, durante um jantar, Inácio vê os braços nus de D. Severina, esposa de Borges – destaca-se que o conto se passa na segunda metade do século XIX, época em que as mulheres não costumavam andar com os braços à mostra, a não ser para seus maridos. Diante da cena estimulante, Inácio começa a questionar-se se D. Severina está interessada nele (por mostrar-lhe os braços), ou se tudo faz parte de seu imaginário adolescente.

Terpsícore

        Conto indicado pela professora Ana Lúcia. Desta vez, ao invés de criar personagens burgueses, Machado afasta-se de suas narrativas costumeiras. O apaixonado casal Glória e Porfírio encontra-se completamente endividado a ponto de ser despejado de casa. Certa tarde tentando resolver seu problema Porfírio gasta parte do pouco dinheiro que tem comprando um bilhete de loteria. Apesar das dívidas o conto mostra a felicidade e o amor do casal apesar da miserabilidade da vida.

Autor: Matheus de Siqueira Nunes

Fonte: Mackenzie