Os três abacates: a história de um professor

MACKENZIE

“A gente tinha um pé de abacate em casa. Quem o plantou fui eu.  Cresci vendo aquele pé de abacate. Eu lembro de um dia, meu pai pegando os três últimos abacates daquele pé, saindo para a feira que era do lado de casa. Eu sai uns 20 minutos depois para ir para escola, ai eu passei por ele e o encontrei na entrada da feira com um caixotinho de verdura que ele tinha pedido para alguma banca lá, com os três abacates na entrada da feira tentando vendê-los”, relembra com emoção o professor Marcio Katzulo Juliboni. Ele conta das dificuldades que passou na adolescência:”Ficamos em uma situação bem ruim a ponto de ir morar de aluguel, de família precisar ajudar e a ponto da gente só ter o de comer porque o vizinho começou a dar cesta básica para a gente”.

Essa situação o motivou a prestar vestibular. Ele considera isso como a sua maior aventura: “ A minha aventura foi essa de ter que superar uma situação”. A carreira escolhida foi jornalismo. Trabalhou em maior parte da sua vida com jornalismo econômico. Já trabalhou em portais como Exame, Istoé e Gazeta Mercantil. Hoje dedica o seu tempo dando aulas no Mackenzie. O jornalista conta, de uma vez em que estava chateado pois os alunos não estavam prestando muita atenção em sua aula. O assunto era formação de identidade. Até que no final da aula uma aluna lhe entregou um pequeno bilhete escrito:‘ Professor eu não sabia porque que eu tinha que vir para a aula hoje, mas eu sabia que eu tinha que vir. Muito obrigada por explicar uma coisa que estava me incomodando tanto e que agora faz tanto sentido para mim. Eu aprendi hoje que eu não sou louca e que eu estou sentindo, outras pessoas sentem também.’ Juliboni lembra feliz o conteúdo do papel e diz: “Se eu puder ajudar uma pessoa por semestre a compreender o mundo melhor, eu já me dou por satisfeito. É isso que me tira da cama de manhã”.

Ele fala também sobre a cultura nerd, muitas vezes presentes em sua aula: “Eu não vou dizer que sou um geek de carteirinha, mas eu me definiria como um nerdzinho. Gosto de ficção científica, ficção, etc. Mas eu não tenho tempo. Só assisti até a terceira temporada de Black Mirror”, lamenta o professor. Você pode ler uma matéria sobre essa série clicando aqui. Por último, ao ser questionado de sua frase favorita, ele mostra sua mão e três  anèis cada um em um dedo. Depois, responde em tom de brincadeira: “Isso aqui que eu uso, não é só estética de tiozão em crise de meia idade. São três acordos que fiz comigo”. Cada um representa uma frase. ‘Contorne o vazio pelo verso’ que é de um poema meu. ‘se podes olhar vê e se podes ver repara’, que é do Saramago. E ‘Sonhar é voar fora da asa do manoel de barros’. São três ensinamentos que o Professor de 44 anos leva com ele para não se esquecer de suas motivações. Assim como os três abacates que lhe ensinaram a lutar pelos seus sonhos.

Autor: Arthur Codjaian

Fonte: Mackenzie