Os desafios e processos de acolhimento de migrantes para Anderson Luis Hammes

No nono episódio da terceira temporada, a pauta foi a inclusão dos migrantes.

Novo isolamento

A oferta de trabalho e recursos como moradia no Brasil são alguns dos principais fatores para a vinda de estrangeiros. No entanto, no cenário atual de crise sanitária, milhares de pessoas foram atingidas por consequências socioeconômicas da pandemia. Isso inclui os migrantes. Segundo Hammes, o desemprego em massa acarretou mais vulnerabilidade na vida deles, principalmente por serem os primeiros a perderem os empregos devido ao fechamento do comércio e do distanciamento social.

Outra questão que o entrevistado ressalta é sobre a documentação dessa população. Por conta da contaminação de agentes federais e a restrição da entrada de migrantes no país, os documentos necessários são adiados por um tempo maior comparado a antes da pré-pandemia. Sem acesso à autorização oficial, eles são levados ao trabalho informal e até ao trabalho explorado.

Políticas públicas

De modo geral, o Estado tem responsabilidade de garantir os direitos fundamentais conforme a Lei de Migração, na qual assegura a direito à vida, segurança, liberdade e igualdade. Questionado sobre o papel do Estado, Hammes afirma: “o Brasil abriu as fronteiras, mas não se preparou para acolher de forma integral.”

O Rio Grande do Sul, por sua vez, tem o Comitê Gaúcho de Atenção para Migrantes, Refugiados, Apátridas e Vítimas de Tráfico de Pessoas (COMIRAT). Coordenado pela Secretaria da Justiça e dos Direitos Humanos, o comitê visa fortalecer políticas públicas, produzir conhecimentos e planos de ação para esta população.

Combate ao preconceito

Pessoas vindas de outras nações muitas vezes são vítimas de xenofobia por conta das diferenças culturais, linguísticas e até da cor de pele. Perguntado sobre quais são os melhores métodos para lidar com os preconceitos, Anderson diz que a melhor maneira de os combater  é mostrando as riquezas e essências que os seres humanos têm a oferecer:

“Os migrantes têm as mesmas necessidades, sonhos, desejos de ter vida digna, segurança e bem-estar que um cidadão brasileiro também deseja.”, diz.

Segundo Pesquisa do Núcleo em Migração do CIBAI, houve mais de 13 mil assistências ao migrante no ano de 2020 em Porto Alegre, sendo a maioria Venezuelanos e Haitianos.

Missão Pompeia

A Missão Pompeia do Centro Ítalo Brasileiro de Assistência e Instrução à Migrações (CIBAI – Migrações), é uma associação beneficente que tem como objetivo orientar e promover assistência necessária para as pessoas em situação de deslocamento migratório e vulnerabilidade. Também atua na inserção social, promoção de cursos para capacitação profissional e encaminhamento jurídico e psicológico através do site da entidade

Autores: Letícia Reis e Luiza Rech.

Fonte: PUC-RS.