Oito em cada dez jovens acreditam que cursos técnicos são importantes para futuro profissional

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A pesquisa “Os jovens, a educação e o Ensino Técnico”, divulgada em novembro pelo Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), analisou as respostas de mais de 2 mil jovens, entre 13 e 18 anos, sobre a educação formal e técnica e as perspectivas relacionadas ao mercado de trabalho. As perguntas eram destinadas a quem já cursou ou está cursando (16,8% dos entrevistados) ou tem intenção de fazer algum curso técnico.

Metade dos jovens (49,9%) avalia o ensino técnico, no Brasil, como ótimo ou bom e 76,1% acreditam na importância desses cursos para ingressar no mercado de trabalho. Os entrevistados que acreditam que ter um curso técnico é importante para o futuro profissional correspondem a 79,5% do total avaliado.

Um exemplo, em São Bernardo, é Centro de Formação Profissional Volkswagen, que oferece cursos técnicos para familiares dos funcionários da empresa e vem capacitando, há 43 anos, mais de 6 mil jovens. Dentre eles, está o aprendiz Gabriel Faber, 19, que ingressou no Senai da Volkswagen aos 16 anos por incentivo de seu pai, funcionário da empresa automobilística por 30 anos.

Faber conta que o que mais chamou sua atenção para esse tipo de curso foi a possibilidade de sair empregado. “Na maioria dos lugares em que o trabalho é técnico e não administrativo, você percebe que a maioria das pessoas fizeram Senai. Isso é muito legal, cria uma cultura empresarial muito boa.”

Após dois anos de curso técnico, Faber conseguiu se destacar e, hoje, está se especializando em um curso de desenvolvedor e integrador de sistemas automatizados de manufatura, patrocinado pela Câmara de Comércio Brasil-Alemanha. “A visibilidade que aqueles que se formarem terão vai ser imensa, é um peso gigante no currículo para quem quiser seguir na área de mecatrônica.”

Para Faber, os estudantes que não fizeram um curso técnico ingressam “muito crus” nas faculdades de engenharia. “Eu acredito que o aproveitamento deles não seja o mais adequado. Você sai do Senai com uma boa base na área em que você se formou. É um diferencial para quem vai contratar aquela pessoa.”

A recrutadora de talentos da ABC Recursos Humanos e Contabilidade, localizada em São Caetano, Nicole Buttler Capelli confirma que, ainda hoje, um curso técnico é um diferencial para quem está procurando emprego, mesmo em cargos mais altos. “Dependendo do perfil da empresa que está contratando. Geralmente, [as vagas são] para áreas administrativas, como Recursos Humanos, Contabilidade e para trabalhar em escritório.”

O estudante Guilherme Koga, 18, faz o curso de química no Senai. Ele começou porque queria fazer engenharia química na faculdade, mas, antes, queria ter uma ideia do curso. “Agora, vejo que posso começar um estágio junto com a faculdade graças ao Senai.”

Guilherme prestou o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e pretende começar a faculdade no ano que vem, antes de sua formatura no Senai, que ocorre em julho. “Os professores falam que 80% dos alunos, geralmente, saem empregados. Acredito que [o curso técnico] seja um diferencial.”

 

 AUTOR: Laís Pagoto 
FONTE: Metodista