O que diria uma brasileira se fosse à África?

MACKENZIE

A palestra “Retratos e relatos africanos” aconteceu no dia 17 de novembro no auditório do prédio Reverendo Wilson e teve a mediação de Peterson Prates. Ele iniciou lembrando os presentes sobre a obrigatoriedade das escolas ensinarem sobre a África no ciclo básico, algo que muitas vezes não ocorre. Em seguida, houve apresentação de Emi Koide, pesquisadora da Casa das Áfricas, Jéssica Anjos e Carolina Simionato, estudantes da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Koide falou bastante sobre o Congo, foco de seu trabalho. De acordo com ela, muitas das representações sobre o país são feitas de maneira estereotipada, retratando-o como um lugar de escuridão.

A pesquisadora contou ainda sobre a diversidade de idiomas do Congo, lembrando que o francês não é suficiente para conhecer a cultura local. Afinal, ele é a língua oficial. Por isso, ao viajar ao país, Koide se sentia limitada a frequentar espaços elitizados por não conhecer as variadas linguagens do povo.

A arte congolense também foi bastante colocada em pauta. Koide falou um pouco sobre essa história e as contradições que a envolvem. Há obras, por exemplo, que são vendidas na Europa e desconhecidas no próprio país. Além disso, citou escolas de artes que foram construídas no período colonial e que com o tempo adotaram um discurso moderno, mas ainda assim marcado pelos padrões europeus.

Relatos de estudantes

Carolina foi à África do Sul e à Moçambique. Ela citou os conflitos existentes entre brancos e negros no primeiro país, algo que permaneceu após o apartheid. Uma das 11 línguas oficiais é o inglês, por causa do período colonial. Mas Carolina disse que ninguém o falava nas comunidades que visitou.

Além dele, a estudante citou ainda a existência do africâner, um idioma falado somente pelos brancos, e o zulu, pelos negros. Essa divisão é uma das heranças do apartheid. Por conta dessas diferenças culturais e inclusive rivalidades entre eles, acaba sendo comum brancos e negros simplesmente não se falarem na África do Sul.

Já em Moçambique, a relação é completamente diferente. Carolina disse que entre as comunidades em que ela foi, havia algumas em que brancos e negros geralmente tinham bons vínculos. Em outros casos, a pessoa branca, principalmente estrangeira, era recebida com bastante animação. Mas havia comunidades também em que a primeira reação era de desconfiança, já que quem aparece de fora geralmente os vê como miseráveis antes mesmo de os conhecerem.

Jéssica fez seu Trabalho de Conclusão de Curso no Quênia, um documentário com histórias das pessoas que vivem no país. Tanto moradores quanto estrangeiros que decidiram se mudar foram entrevistados para falar sobre suas vivências principalmente em relação ao cristianismo no lugar.

Ao término da palestra, foram distribuídos exemplares de “Olhares do mundo”. O livro de reportagens sobre a África foi escrito por estudantes do sexto semestre de jornalismo e organizado pela professora Márcia Detoni.

Foto: Maria Clara Lucci
AUTOR: Victor Melo
FOTO: Maria Clara Lucci
FONTE: Mackenzie