O inimigo agora é outro

alagamentos

O ano de 2015 foi marcante para paulistas e paulistanos. Foram meses na agonia e espera de um milagre. Milagre esse chamado chuva; os reservatórios da grande SP estavam em estado de atenção, níveis de seca e a redução da oferta de água atingiram níveis preocupantes à população, tendo que passar por racionamentos drásticos durante horas, até mesmo em bairros desfavorecidos, por mais de dias sem água.

Em meio à crise, a população está mais afetada em busca de respostas sobre causas e responsabilidades. Todos sabem que uma das causas foi a diminuição das chuvas no estado, até o desmatamento, a ocupação dos mananciais, a falta de planejamento do governo e o desperdício desenfreado de água no dia-a-dia. Um dos principais símbolos desta crise é a diminuição drástica do sistema Cantareira, imenso reservatório administrado pela Sabesp e responsável pelo abastecimento de água por cerca de 8,8 milhões de pessoas.

Com o aumento das chuvas do mês de novembro de 2015, até o presente mês de fevereiro de 2016, os reservatórios conseguiram chegar a um nível estável e a população respirar melhor.

O volume operacional de água armazenada nos seis reservatórios que abastecem a Grande São Paulo, atingiu 50,5% de sua capacidade total, conforme dados da Sabesp – Companhia de Saneamento Básico, – este índice representa mais de 943 bilhões de litros, mais do que o dobro da quantidade armazenada em 2015 (no qual o total era de 409 bilhões). Os reservatórios são: Cantareira, Guarapiranga, Alto Tietê, Alto Cotia, Rio Grande e Rio Claro. De acordo com a Sabesp, o período de chuvas em São Paulo ainda deve se estender até março, podendo aumentar o nível dos reservatórios. Em janeiro deste ano o Sistema Cantareira voltou a ser o principal sistema de abastecimento de água na Grande São Paulo.

Com o aumento das chuvas e alívio aos sistemas de abastecimento da capital, o inimigo agora é outro. Com as fortes chuvas, córregos transbordam e regiões de São Paulo entram em alerta para alagamentos. Temporais atingem a capital paulista e nos últimos dias, as pancadas de chuvas diárias no período da tarde, vem castigando muitos paulistanos.
A população convive com o medo, e a cada final de tarde, surgem os mesmos pensamento e indagações: o alagamento do bairro, goteiras dentro de casa, o terrível trânsito, árvores caídas causando transtorno de energia, esgotos entupidos e rios ainda mais poluídos.

O CGE – Centro de Gerenciamento de Emergências colocou seis subprefeituras em estado de alerta para alagamentos, por causa do transbordamento de rios e córregos durante as fortes chuvas deste mês, que atingiram a capital. Apenas um dia de chuva intensa, foi o suficiente para deixar a cidade em um caos. Rajadas de vento chegaram a 46,3 km/h no aeroporto de Congonhas, a cidade chegou a registar 13 pontos de alagamentos, e as regiões de Aricanduva/ Vila Formosa e Itaquera na Zona Leste, ficaram mais de 2 horas em alerta devido ao transbordamento do Rio Aricanduva, na Avenida Matapi , no Jardim Santa Terezinha. Transporte público também foi prejudicado. Linhas da CPTM- Companhia Paulista de Trens Metropolitanos foram paralisadas, e outras com redução da velocidade.
Existem medidas de combate às enchentes. A realização de uma devida prevenção através da construção de sistemas eficientes de drenagem, a desocupação de áreas de risco, criação de reservas florestais nas margens dos rios, diminuição dos índices de poluição e geração de lixo, além de um planejamento urbano mais consistente, seriam ações úteis para contornar essa situação.

O problema das enchentes é crônico em muitas cidades brasileiras. As inundações, além de danos materiais, podem trazer também doenças, como a leptospirose.

A convivência com o medo se torna constante, atitudes não são tomadas e a consciência muito menos.

Thais Santos é estudante de jornalismo da faculdade UNINOVE, e colaboradora do Clube do Jornalismo