O dia que fui eneacampeã!

MACKENZIE

Desde que me entendo por gente eu sou Palmeiras. Um clube que sempre foi gigante aos meus olhos. Não sei dizer quando esse amor começou, afinal o Verdão está presente em todas as minhas memórias desde pequena. O Alviverde tá na capa da Carteira de Trabalho do meu pai, tá em copos, abridores de garrafa, pratos e portas da minha casa. O Palmeiras tá presente nas minhas memórias favoritas e na história da minha família.

Rua Turiassu

Rua Turiassu

Sim, eu sou daquelas que cantam que é Palmeiras até morrer, que o Verdão é o meu bem querer. Sim, eu vibro a cada toque de bola, a cada defesa das nossas muralhas. Eu amo o Palmeiras. E foi esse amor que me fez ir às ruas ontem pra cantar e vibrar com centenas de palmeirenses.

Já vi o Palmeiras ser campeão de outros campeonatos, mas nos meus 19 anos de vida sempre esperei o ver campeão Brasileiro. Então, o grande dia chegou. O dia que eu veria o capita Dudu levantar o caneco. O dia que veria os monstros Jailson da massa, Fabiano, Edu Dracena, Mitor Hugo, o vovô jovem Zé Roberto, Tchê Tchê, Jean, Moisés, Guedes e  o menino G. Jesus serem reconhecidos e viverem um momento de glória.

Torcedores do palmeiras

Beatriz Cerrato, Gabriela Cesario e Miguel Cerrato

Eu sonhei tanto com esse momento que não vi a hora que saí de casa, acompanhada por dois torcedores que amam o Palestra tanto quanto eu, para ir até a famosa Rua Caraíbas com a Palestra Itália. A primeira emoção do dia ficou por conta da festa dos palmeirenses dentro do metrô. Ah, que coisa mais linda! Uma nação cantando “Vamo ganhar Porco, vamo ganhar Porco!”. Me arrepiei inteira. O caminho de mais de vinte minutos da Estação Barra Funda até ao reduto palmeirenses não pareceu tão longo quanto era, a festa já acontecia nas ruas, a emoção já tomava conta de todos ali presente.

Mas nem tudo é perfeito… As ruas estavam fechadas, só entrava ali quem estava com ingressos. Os palmeirenses que queriam ver o time jogando e ser campeão na rua histórica ficaram de fora. Triste. Decepcionante. Mas os torcedores não se contentaram com isso. Tentaram atravessar as grades que impediam a passagem. E foi aí que ouvi o BOOM! Bombas de efeitos foram tacadas. Torcedores que só queriam ver o jogo, fazer parte da festa Alviverde em família tiveram que se dispersar. Meu olho lacrimejava, e não era de emoção. Mas isso não me fez desistir. Se não fosse para ver o Palmeiras campeão ali, eu veria em outro lugar junto com outros apaixonados pelo Verdão como eu.

Foi aí que decidimos ir para a Vila Madalena. O destino nunca chegava. Não vimos o gol do título de cobertura do Fabiano, mas vibramos loucamente. Ainda dentro do carro ouvimos pela rádio que Prass estava no aquecimento. E sim, gritamos muito. Fernando Prass, como minha amiga diz, é sinônimo de superação e muita garra, assim como o Palmeiras. A ansiedade para chegar logo e ver o jogo agora era gigante, assim como nosso time.

Geovani Cesario e Gabriela Cesario

Geovani Cesario e Gabriela Cesario

Chegamos. Durante o segundo tempo inteiro cantei loucamente que era Palmeiras até morrer. A hora chegou. Os gritos de “É CAMPEÃO” ecoavam pelas ruas da Vila Madá, por São Paulo e por todo o Brasil. A festa Alviverde era linda, emocionante. O momento que eu sempre sonhei só não foi mais perfeito porque eu não estava junto com os meus três torcedores preferidos. Eu cantava aqui em SP, e minha família vibravam em Minas Gerais.

A emoção do título era tão grande. A felicidade por levantar a taça era indescritível, tanto que quando precisei empurrar um táxi no meio da Av. Rebouças nem me importei. Meu peito não tinha espaço para tristeza. No momento eu só pensava em gritar que o Palmeiras era campeão.

Ver um time que foi desacreditado pela mídia, por antis e até mesmo por uns palmeirenses, ser campeão não tem preço. Não existe explicação. Ontem, mais do que nunca, a frase “Explicar a emoção de ser palmeirense, a um palmeirense, é totalmente desnecessário. E a quem não é palmeirense é totalmente impossível!” fez muito mais sentido para mim. No momento eu só sei de uma coisa… Eu tô fechada com o Verdão! O ENEA É DO PALMEIRAS, DO MEU PALMEIRAS!

Texto: Gabriela Cesario

Fonte: Mackenzie