O destino final do lixo da UnB

Todo rejeito (lixo que não pode ser reaproveitado ou reciclado) é recolhido pelo Serviço de Limpeza Urbana (SLU) e encaminhado para o Aterro Sanitário de Samambaia. Lá, o lixo fica na área de disposição dos rejeitos para depois ser compactado e enterrado. A expectativa de vida do Aterro é de dez anos, contando a partir de 2017. Diariamente, são recebidas 2,7 mil toneladas. Em 2027, serão oito milhões de toneladas.

Aterro Sanitário de Samambaia visto de cima. (Foto: SLU/ Divulgação)

A altura entre o lixo e a superfície é de, aproximadamente, 30 centímetros. Existem drenos instalados no solo para captar o chorume, que é encaminhado para a Caesb e diluído junto com o esgoto. Os gases liberados durante o processo são queimados, para evitar poluição. Até o dia 30 de junho, esse processo acontece. No entanto, após essa data, a UnB e outros órgãos públicos vão precisar contratar uma empresa responsável por essa coleta, de acordo com o Decreto de Grandes Geradores. Se opondo a esse decreto, existe um projeto de lei que está tramitando na Câmara dos Deputados para que não seja cobrado do próprio governo essa coleta, pois é uma tarefa do Governo do DF que seria uma despesa para o governo federal.

Já o lixo seco do campus Darcy Ribeiro, é recolhido há dois anos pela Central de Reciclagem do Varjão (CRV). Lá o lixo é a principal fonte de renda das recicladoras, ou catadoras, que separam, pesam e depois vendem o material reciclado. Neste semestre, a CRV ainda não está recolhendo na UnB por conta do atraso do edital, mas a Prefeitura afirma que a partir de maio este trabalho será feito. Por enquanto, o lixo seco é recolhido pelo SLU e por carroceiros que pegam direto dos contêineres ou muitas vezes em outros locais da UnB, como pode ser visto na foto abaixo.

Na placa “proibido descartar lixo ou entulho”, ao lado da FT. (Foto: Fernanda Bastos)

O vidro é um material 100% reciclável, mas o Distrito Federal e a UnB não possuem um plano de reciclagem para ele. Portanto, o material é descartado junto com o rejeito e vai parar direto no aterro sanitário. Depois de enterrado, ele demora cerca de 4 mil anos para se decompor. A UnB afirma estar tentando conseguir um contrato com uma empresa para levar todo o vidro para reciclagem em São Paulo.

Os lixos perigosos, os biológicos e químicos, produzidos nos laboratórios do Instituto de Biologia e na Faculdade de Saúde, são recolhidos semanalmente pelo químico Eduardo Ferreira Pereira, 41, e pelo técnico de laboratório Noberto Fontenele Frota, 31. Eles realizam a pesagem e a separação nos três entrepostos da universidade (todos no campus Darcy Ribeiro; nos outros campi a coleta é realizada por agendamento) e levam os lixos para a empresa de tratamento. O gasto anual da UnB com o lixo biológico é de, em média, 78 mil reais e, com o químico, de 120 mil.

Coleta de lixo perigoso no entreposto do IB com uso de jaleco e luvas. (Foto: Giulia Soares)

O antigo lixão da Estrutural, hoje Unidade de Recebimento de Entulho (URE) é o local para onde o lixo da construção civil é destinado. Uma parte é esmagada, aterrada e vira terraplanagem, a outra é britada e transformada em brita e pequenas pedras para futura reutilização como base de asfalto. A Adasa estipulou um preço público para o transportador colocar o lixo lá de 10 reais e 92 centavos por tonelada de entulho. A URE recebe, em média, 700 caminhões por dia e todos são numerados e cadastrados no site do SLU.

Todo o lixo eletrônico da universidade é vendido em leilões. Mas é considerado lixo eletrônico da UnB só o que é patrimonial, ou seja, quando um aparelho da própria instituição precisa ser descartado. A universidade não recolhe lixo eletrônico dos estudantes, então nada de jogá-los nas lixeiras da UnB. Como citado anteriormente, na Asa Norte há três ecopontos que coletam o e-lixo. O material coletado passa pela triagem que separa os itens inservíveis (resíduos) dos que ainda podem ser recondicionados. Assim, os aparelhos eletroeletrônicos são desmontados, classificados, separados, tratados e reciclados, retornando para a cadeia produtiva como matéria-prima e economizando recursos naturais.

De acordo com a empresa Zero Impacto, responsável pela e-reciclagem no DF, produzir um computador com um monitor requer 240kg de combustíveis fósseis, 22kg de produtos químicos e 1500 litros de água. Todo ano o mundo produz mais de 50 milhões de toneladas de lixo eletrônico. Apenas 15% deste total é reciclado atualmente.

Menos é mais

Em um universo ideal, a solução para a questão da grande quantidade de lixo, seria a redução do mesmo, reutilizando, reciclando e reaproveitando tudo o que for possível. O lixo deve ser analisado para ser aproveitado ao máximo, pois não é um aspecto apenas ecológico, mas político, social, ambiental, sanitário, econômico e estético. É preciso encará-lo não como um problema, mas como uma oportunidade de criação e geração de outros elementos.

Para diminuir a quantidade de lixo indo pro aterro, a Assessoria de Sustentabilidade (ASA), coordenada pelo professor Pedro Zuchi, está tomando providências para melhorar a separação. O professor explica que na análise feita pelos estudantes de Ciências Ambientais em 2017, foi constatado que metade do que está sendo descartado como rejeito poderia ser reaproveitado dentro da própria universidade. O lixo orgânico, como, por exemplo, casca de banana e restos de alimentos, pode ser utilizado como composto nos jardins do campus.

No semestre passado, foi feito um experimento de retirada de todas as latas de lixo de dentro das salas de aula dos Pavilhões e disposição em pontos estratégicos de três latas da coleta seletiva: uma para lixo seco, outra para rejeito e outra para orgânico. Assim, é evitado que todo o lixo que poderia ser reaproveitado vá parar no aterro sanitário.

Esse projeto já foi implementado na Faculdade de Planaltina e o professor Zuchi afirma que a partir do segundo semestre de 2019 será implementado em todos os campi. A UnB espera que, desta maneira, uma grande quantia seja economizada, já que a partir de junho o SLU vai cobrar por tonelada para recolher os rejeitos de grandes geradores. Por ano, o valor investido só no recolhimento do lixo seria de 400 a 600 mil. Separando o rejeito do orgânico, apenas 30% seria enviado para o aterro, ou seja, metade do que está sendo enviado hoje.

Há quase um ano e meio, um projeto da Assessoria de Sustentabilidade em parceria com a Prefeitura já vêm dando resultados significativos. Todo o lixo verde está passando por compostagem dentro da universidade. Depois de passar por tratamento, o lixo que iria pro aterro é usado como adubo nos jardins do ICC e rotatórias. Essa medida já trouxe economia de cerca de 300 mil para a universidade.

Além disso, a UnB vem tomando providências para diminuir a quantidade de rejeito produzido no campus. Atendendo a lei que proíbe o uso de copos plásticos no DF, todos os copinhos de café do RU foram substituídos por canecas, que são lavadas e reutilizadas depois. Antes, eram descartados aproximadamente 5 mil copos plásticos por dia.

Mas o professor Pedro Zuchi ressalta que os alunos e servidores também são responsáveis pelos resíduos produzidos na universidade. Algumas atitudes, como evitar o uso de canudos plásticos, trazer sua própria caneca para o café durante a aula e seus talheres para as marmitas, podem gerar menos lixo. São ações mínimas que têm um grande impacto para a sociedade e para o meio ambiente.

Autoras: Fernanda Vieira Bastos e Giulia Soares

Fonte: UnB