O caminho do lixo na UnB

Da lixeira até o destino final: saiba como descartar e onde o seu rejeito vai parar

Intervalo entre aulas. Um grupo de amigos se reúne no Ceubinho para tomar café da manhã. Entre boas conversas e risadas, alguns elementos como sacos de pão de queijo, guardanapos, latas de alumínio, canudos e garrafas plásticas ficam sobre a mesa. Apenas nesse lanche, em menos de vinte minutos, uma grande quantidade de lixo é produzida. Hora de voltar pra sala e, depois de jogar os rejeitos na lixeira adequada, para muitos alunos, o problema acabou, cada um fez sua parte. Mas para onde vai todo esse lixo?

Cada um dos frequentadores do campus Darcy Ribeiro é responsável por gerar aproximadamente cem gramas de lixo por dia, ou seja, a cada duas semanas são, em média, um quilo para cada um dos mais de 31 mil alunos. Todos os dias são gerados mais de 3,5 toneladas de resíduos em apenas um dos campus da Universidade. Desses, 63% acabam virando rejeitos e não podem ser reciclados. Esses dados foram levantados em 2017, por alunos de Ciências Ambientais na disciplina Trabalho Interdisciplinar Integrado.

Infográfico: Beatriz Castro. Fonte: Campus Online.

É muito lixo sendo produzido dentro da UnB que, com 153 cursos de graduação, 89, de mestrado, 69, de doutorado e 4 campi, produz diversos tipos de resíduos. Além disso, se atentar para a coleta seletiva é obrigação de todos os frequentadores da universidade. “Os estudantes são nossos grandes aliados na questão ambiental”, ressalta o professor Pedro Zuchi, coordenador da Assessoria de Sustentabilidade (ASA) da UnB. No entanto, muitos dos estudantes não sabem onde colocar cada tipo de lixo ou para onde vão os rejeitos.

Questionada sobre o destino do lixo, a estudante de engenharia florestal, Mariana Scherer, 21, foi sucinta ao dizer “não faço ideia”. Assim como Sthephanny Madeira, 18, estudante de Ciência política que, ao conversar com os amigos sobre o assunto, percebeu que não sabia muito sobre os resíduos produzidos na UnB. “O RU não permite que a gente saia com a fruta para (que eles possam) utilizar na reciclagem orgânica, mas a gente não sabe para onde vai, da mesma forma que não sabemos do destino de nenhum lixo que produzimos, não temos ciência de onde vai parar e o que acontece”, explica.

O estudante de matemática, Gabriel Carnaúba Santos, 21, sugeriu que o lixo era levado para o lixão, mas sem muita certeza. “Acho que descartavam no lixão da Estrutural, mas como ele foi desativado, não sei para onde vai, talvez alguns lixos são levados para cooperativas”.

Cada lixo em seu lugar

É, muita gente fica na dúvida. Colocar o canudo na lixeira azul ou na cinza? E o guardanapo sujo de óleo de coxinha, vai pra onde? Essas questões são respondidas em poucos segundos na na cabeça das pessoas, no automático e, mesmo com algumas latas de lixo não tendo identificação, existe o pensamento de que “Ah, é lixo. Vai ser tratado e levado para o lixão”. Ou seja, não há grande preocupação em colocar o lixo no lugar certo. Acredita-se que a responsabilidade de separar corretamente é do “próximo”.

E é nessa concepção que mora o erro. Tudo é separado e dividido para que haja a menor geração de lixo possível dentro da universidade. O ciclo se inicia no descarte, depois vem o armazenamento, a coleta e o tratamento e todas estas etapas fazem uma grande diferença para a redução da quantidade. Por isso, é preciso entender quais são os tipos de lixo, a sua composição, as lixeiras e para onde é destinado cada resíduo.

Os tipos de lixo existentes na Universidade de Brasília são: seco reciclável, orgânico, verde, não reaproveitável/rejeito, perigosos (biológico e químico), eletrônico e construção civil. Para cada tipo de lixo, há um local específico de descarte.

O lixo seco reciclável é composto por tudo que possa ser reutilizado. Ou seja, é todo material que possa ser transformado de volta em matéria-prima para voltar ao ciclo de produção e ser reusado, o que reduz o consumo de energia e a utilização dos recursos naturais. Alguns exemplos são metal, embalagens de plástico (canudo não se insere aqui), papelão, vidro, garrafas PET, jornais, revistas, papel. Esse lixo é descartado na lixeira de cor azul, aquela que é acompanhada da cinza no ICC e em outros prédios da UnB.

Por falar da lixeira cinza, ela recebe o lixo orgânico. Tudo que é de origem orgânica e vegetal pode ser definido como lixo orgânico, como, por exemplo, frutas, legumes e restos de comida. O recomendado é a separação do resto de alimento orgânico do recipiente no qual se encontra, ato simples que facilita muito na coleta seletiva.

O projeto de compostagem, em funcionamento há oito meses, com o lixo verde, oriundo de podas de árvores e folhas caídas no chão, faz com que esse resíduo continue na UnB e seja transformado em composto ou adubo. A compostagem do lixo verde já resultou numa economia em torno de 300 mil reais para a universidade.

Ok, mas e o canudo? Vai para onde? Por ser um plástico muito fino e não ser capaz de passar por uma transformação para se tornar matéria-prima novamente, o canudo é um rejeito, ou seja, o lixo não reaproveitável. Ele deve ser descartado em uma outra lixeira que, de acordo com o professor Pedro Zuchi, a Prefeitura pretende implementar. No entanto, por ainda não existir, ele pode ser descartado nas lixeiras cinzas de orgânicos. Mas o lixo não reaproveitável que é composto por canudos, guardanapos engordurados, papel higiênico e absorventes utilizados não são reutilizáveis e devem ser descartados em sacos pretos.

Os rejeitos perigosos são divididos em dois grupos dentro da UnB: biológico e químico. O primeiro, é o produzido nos laboratórios de medicina, enfermagem, farmácia e outras áreas da saúde. Carcaças e partes de animais como ratos, porcos e peças muito antigas de corpos utilizados na anatomia são alguns exemplos. Esses elementos são levados pelos técnicos dos laboratórios para o entreposto de resíduo biológico da Faculdade de Saúde (FS).

Um pouco abaixo da FS, no Instituto de Ciências Biológicas, existe um outro entreposto de resíduo químico. Caracterizado por elementos químicos e tóxicos, em sua maioria líquidos, o lixo químico é formado por esses resíduos. Os frascos e potes de vidros que contém essas substâncias são mantidos no laboratório por um curto período de tempo e após uma quantidade razoável ser acumulada, são levados para o entreposto por técnicos ou pesquisadores especializados do laboratório.

Durante a realização da matéria, na visita aos entrepostos de resíduos perigosos, duas pesquisadoras foram descartar o lixo. A primeira, Raiane Cerejo Rabelo, 32, doutoranda em ecologia, destacou a importância da coleta e do descarte serem realizados de forma correta. “Têm muitos produtos que podem fazer mal para a saúde, causar doenças e acabar com o meio ambiente. A gente utiliza ácido sulfúrico, formol, produtos cancerígenos como o decahidronafetaleno que são todos tóxicos. Uma vez por mês realizamos esse descarte aqui”, explica.

Já no laboratório de microscopia eletrônica, onde há o cultivo celular, a técnica de laboratório, Ingrid Gracielle Martins da Silva, 33, afirma que é preciso ter cuidado em todas as etapas de descarte do lixo, por isso, utiliza todos os elementos de proteção recomendados, como luvas e jaleco. “Trabalhamos com material biológico e químico, é preciso separar direito. Biológico vai no saco branco e reagentes químicos nos seus frascos para não se misturarem. Ao final de tudo são descartados de forma correta e isso evita a contaminação do lixo comum. Além de garantir a segurança de quem trabalha, é uma forma segura de descarte”, explica a técnica que uma vez por semana vai ao entreposto.

Diferente destes, o lixo eletrônico ou e-lixo é advindo de equipamentos eletrônicos que estão danificados, não são utilizados ou chegaram ao fim da sua vida útil como computadores, celulares, notebooks, televisão, impressoras, máquinas fotográficas. Esses aparelhos, se descartados de forma incorreta podem representar riscos à saúde do homem e à natureza por conterem em sua composição elementos como chumbo, mercúrio e fósforo. A UnB não possui um local específico para o descarte do e-lixo produzido pela comunidade acadêmica. No entanto, existem empresas que realizam a coleta e na Asa Norte há três ecopontos que podem ser consultados aqui. Uma observação importante é que lâmpadas, pilhas e baterias não pertencem ao lixo eletrônico.

O lixo da construção civil é constituído por entulho, restos de elementos utilizados em alguma obra como tijolos, telhas, gesso, concreto, tinta e eles ficam nos contêineres amarelos espalhados pela UnB. Agora, para onde vai todo esse lixo? Descubra aqui.

Autoras: Giulia Soares e Fernanda Vieira Bastos

Fonte: UnB