O atual mito da caverna

1

Nos dias atuais, com a sociedade cada vez mais frenética, acabamos deixando de perceber pequenos detalhes simples do dia. Sempre conectados, com o olhar nos celulares, não notamos o aceno amigável do outro lado da rua. E então, sem perceber, deixamos as horas passar e seguimos de forma robótica e decorada a nossa rotina. Os rostos que passam são como vultos, irreconhecíveis, desconhecidos e as pessoas que se apresentam e falam sobre a vida, jogando conversa fora, no ponto de ônibus só ganham um nome real quando mandam um convite no facebook. Cada vez mais, enchemos a nossa lista de contatos e perdemos mais contatos.
A geração dos selfies e vidas sociais trancou-se em uma redoma e não deixa ninguém de fora entrar. A realidade foi distorcida, mudou de lugar, e aquilo que era fictício, agora é venerado com esplendor como o novo real. Poetas surgem aos montes com seus textos copiados e frases para um amor inexistente. A banalização de sentimentos é escancarada: Casais se abraçam afastados, beijos são dados de olhos abertos e o romantismo é usado como fonte para curtidas. A conexão é desconexa.

O excesso de informações nos torna conhecedores de tudo e de qualquer coisa. Não há mais perguntas, questionamentos ou duvidadas. O que existem são constantes debates, lutas de egos inflados e verdades absolutas. Todos sabem de tudo, quando, na verdade, nada sabem. O Google trouxe todas as respostas, mas ele não nos faz pensar. É ilusório achar que estamos mais inteligentes se copiamos tudo de uma máquina.
Todos esses fatores nos levaram para um atual mito da caverna: Substituímos as sombras pela tela do computador e esquecemos a verdadeira realidade que existe. A internet trouxe muitos avanços e a tecnologia pode nos levar para muito longe, mas isso não vai acontecer se as pessoas continuarem paradas e escondidas em suas cavernas.
Felipe Saraiça é estudante de jornalismo, e faz parte do projeto Focas de Jornalismo, do Clube do Jornalismo, desde 2015.