Nutricionistas ajudam em receitas a veganos

Adeptos ao estilo de vida passam por fases até chegar ao veganismo

Nutricionistas ajudam em receitas a veganos
A nutricionista Isabelle Stroll recomenda grãos, como o feijão,
para substituir a carne animal – Foto Beatriz Magalhães/RRJ

O veganismo consiste em uma dieta que não envolva alimentos que venham da exploração animal para o consumo do homem como carne, leite, ovos e mel. Esses alimentos são substituídos por vegetais, frutas, legumes e principalmente grãos. Mas não é fácil adotar o estilo de vida vegano sem antes passar pelo vegetarianismo, em que a pessoa deixa apenas de comer carnes de origem animal.

A professora de inglês Ana Martins, 20, conta que virou vegetariana em 2011 por influência do namorado e que tomou a decisão de um dia para o outro. Depois de seis meses o casal decidiu se tornar vegano juntos. “Eu vesti a camisa do veganismo, comecei a conversar e admirar muitas pessoas e isso me empolgou bastante.”

Muitas vezes as pessoas associam o veganismo à falta de nutrientes que ele pode causar pela exclusão de alimentos de fontes animais na dieta. Mas a nutricionista Isabelle Stoll, 25, alerta que isso inclusive melhora a saúde. “O veganismo mostra uma melhora na predisposição de doenças cardiovasculares e câncer no esôfago e estômago. Isso acontece, porque o vegano para de comer todo tipo de alimento industrializado, já que a maioria deles contém traços de leite e ovos.”

O medo da perda de nutrientes pode atrapalhar o objetivo de quem decide ser vegano. A professora de inglês e francês Maria Helena Lage, 20, tentou por uma questão ideológica. Conseguiu manter a dieta por sete meses. Mas desistiu por pressão da família que tinha receio de que ela ficasse anêmica. “Eu tinha 17 anos. Não me sentia muito segura por conta da pressão externa. Se tomasse essa decisão agora seria bem diferente.”

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Já o caso do preparador físico Lorenzo Capelli, 21, aconteceu o contrário. Ele é vegetariano desde que nasceu por opção dos pais. Quando cresceu decidiu manter o estilo de vida. “Eu me coloco no mesmo patamar dos animais. Não me sinto uma raça superior e sei que o ser humano não é um ser carnívoro. Eu sou a prova viva disso.”

Mas nem tudo são flores. É muito importante que o vegano se consulte com um nutricionista especializado no assunto e faça exames de sangue rotineiramente. Segundo a nutricionista Isabelle, um recurso muito utilizado na dieta de pessoas veganas é a suplementação de hormônios como a vitamina B12. Outra opção é substituir a proteína da carne pelo grupo dos feijões. “A soja é um bom substituto e junto com alguns métodos nutricionais a pessoa consegue manter uma quantidade de proteína adequada, inclusive para ganho de massa muscular.”

Segundo a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), sete colheres de sopa de leguminosas como feijão, ervilha e grão de bico são equivalentes a 100 gramas de carne animal. Na rotina caseira é mais fácil aderir a essas substituições. A estudante de odontologia Isadora Pastori, 19, conta que não teve dificuldades na transição. “Gosto muito de salada, legumes, frutas e cereais. Há muitas opções. Como bastante bife vegetal, soja e até feijoada vegetariana.”

Já quando o vegano tem que se alimentar nas ruas não é bem isso que acontece. As opções ainda são muito restritas. Um conselho que a nutricionista é se planejar antes de sair de casa e preparar uma marmita para consumir durante o dia. “Atualmente, encontramos produtos que não têm origem animal nas ruas. Mas o mercado ainda é muito limitado.”

Receitas que levam carne, ovos e leite não impedem veganos de usá-las. A nutricionista Isabelle adaptou uma receita de hambúrguer.

Autora: Beatriz Magalhães

Fonte: Metodista