Motoboys enfrentam riscos e desafios para trabalhar durante a pandemia

Apesar da alta demanda, entregadores reclamam sobre as dificuldades da profissão.

Trânsito intenso, aumento de carga horária e baixa remuneração. Esses são os desafios que os entregadores de comida enfrentam nos tempos de isolamento social. Eles alegam passar dificuldades na pandemia do novo Coronavírus, em um momento em que o país registra o segundo maior número de mortes no mundo (atrás apenas dos Estados Unidos). 

Com as inúmeras restrições que os estabelecimentos, incluindo restaurantes, pizzarias e lanchonetes, enfrentam como medida de contenção ao vírus, os índices de gastos com entregas feitos por grandes aplicativos de delivery de comida, como IFood, Rappi e UberEats, aumentarem em 149%, segundo dados da Mobills, startup de gestação de finanças pessoais. Com esse crescimento do delivery de comida nesses aplicativos, uma categoria de trabalhadores se destaca: os motoboys. Trabalham diariamente entregando comida para milhares de pessoas, de moto ou de bicicleta tendo que, às vezes, percorrer grandes distâncias. Por mais que sintam que o trabalho está mais valorizado na pandemia, as condições pioram drasticamente, com jornadas extensas e pouco rendimentos. “Muita gente agradece, dá gorjeta, oferece café, por conta da pandemia, muita gente passou a olhar nós, motoqueiros, como heróis”, afirma Guilherme Oliveira (20 anos), motoboy de São Bernardo que reclama da alta carga horária de seu serviço. “Trabalho, em média, dez horas por dia. Ganho seguro acidente tanto material quanto de saúde”. 

Para a grande maioria dos entregadores de moto que trabalham com delivery na pandemia, trabalhar mais e ganhar menos já se transformou uma realidade, seja por causa da alta demanda das entregas de comida, seja por conta da necessidade das lanchonetes e dos aplicativos de delivery em reduzir dispensas por conta da crise. Fabrício Claro afirma que, nos fins de semana, a carga horária pode chegar a 12 horas, porém ele afirma gostar da profissão. “Me sinto bem. Gosto da área, por mais que seja perigosa a profissão. Quem gosta faz por amor”. Além do baixo salário e da alta carga horária, os motoboys também se queixam dos acidentes no trânsito. Segundo dados do governo de São Paulo, entre abril e maio de 2020, 39 motoboys morreram durante o trabalho no estado, representando quase o dobro do mesmo período de 2018 e 2019. Fabrício, assim como Guilherme, alega a falta de auxílio aos entregadores em relação a seguro e outros custos, como manutenção da moto. “Apenas alguns estabelecimentos pagam a encosta e a gasolina”, disse Fabrício 

Por conta das situações precárias de trabalho que passam, diversos entregadores dos principais aplicativos de entrega organizaram inúmeras manifestações pelo país. No dia 16 de abril, em uma sexta-feira, um protesto foi realizado em frente ao estádio do Pacaembu, em São Paulo, reivindicando o fim de programas disponíveis nos aplicativos como o “Rappi Turbo”, um sistema presente dentro do app Rappi, em que o estabelecimento tem a capacidade de aceitar os pedidos de forma automática, acelerando os processos de entregas, além de outras reivindicações como melhores salários e menores cargas horárias. Outra manifestação ocorreu no dia 19 do mesmo mês, também na capital paulista. Desta vez, os entregadores e motoristas resolveram organizar uma greve, reivindicando taxas de entregas mais justas para os entregadores por parte dos aplicativos.

Autores: Vinícius Leal Marinheiro, Matheus Jhonathan Vitoriano e João Paulo Caravaggio.

Fonte: Metodista.