Morcegos estão presentes em grandes centros urbanos

O mamífero voador é um dos potenciais transmissores do vírus da raiva
Morcegos estão presentes em grandes centros urbanos
De todos os mamíferos, o morcego é o único capaz de voar – Foto: Pixabay

Animais selvagens também estão presentes nos grandes cidades, um deles é o morcego. Eles costumam aparecer em casas e apartamentos onde encontram condições favoráveis à reprodução e alimentação. No centro de São Bernardo do Campo, no Apartamento Residencial Bahamas, a síndica Assunta Veneziano, 64, conta que 3 apartamentos já foram invadidos por morcegos, e acrescenta que há acúmulo de entulho nos fundos do prédio. “No terreno há ratos, morcegos e até escorpiões”, finaliza ao dizer que já reclamou para o Centro de Zoonoses e aguarda a solução do caso.

Os morcegos vivem em copas de árvores, folhagens, troncos ocos, fendas de rochas e cavernas, mas assustam quando surgem nos sótãos e porões de residências. Se, por um lado, ajudam no controle de insetos noturnos e na polinização de plantas, por outro preocupam porque podem transmitir doenças como a raiva em seres humanos e animais domésticos.

A raiva é uma doença viral transmitida para seres humanos a partir da saliva de animais infectados, geralmente por uma mordida, sendo fatal para todos os mamíferos. Segundo a veterinária Maria Marta Capelli, a doença em animais domésticos e seres humanos inclui: mudança de hábito, agressividade e inquietação. “Em todos os casos termina com a paralisia total do corpo, inclusive músculos como pulmão e coração”, finaliza.

A profissional explica que a única maneira de combater a doença é a vacinação de todos os mamíferos domésticos. “Se o animal estiver vacinado em uma área que tenha morcegos hematófagos [que chupam sangue], ou qualquer outro mamífero infectado com a doença, ele estará protegido, mesmo se for mordido”. Caso alguma pessoa não vacinada seja mordida por um animal que tenha a raiva, o protocolo é ir imediatamente a um posto de saúde para uma vacina pós-exposição. “Deste modo, o corpo terá tempo para produzir anticorpos”, completa.

Embora a cultura, em filmes de terror, coloque os morcegos como ‘chupadores de sangue’, 70% das espécies são insetívoras, e ajudam no controle de pragas urbanas, como baratas, gafanhotos e traças. Os outros 30% são frutíferas, fazendo a disseminação de sementes e polinização das flores. Apenas 3 espécies das quase mil catalogadas se alimentam de sangue, sugando em média duas colheres de sopa de sangue por dia. Mesmo não tendo o ser humano como alvo principal, morcegos hematófagos podem transmitir a raiva por meio da mordida e, segundo a veterinária, um morcego não hematófago só vai atacar o ser humano se for ameaçado, mordendo para se defender. “Nestas condições, isso já é o suficiente para transmitir a raiva, se o animal estiver contaminado”, conclui.

A prefeitura de São Bernardo do Campo distribuiu folhetos alertando sobre cuidados em caso de contato com morcegos. Entre as recomendações pede que as pessoas procurem imediatamente o atendimento médico e não realize procedimentos caseiros. Em casos de acidentes com animais domésticos, a orientação é procurar imediatamente um médico veterinário ou o Centro de Controle de Zoonoses.

*Esta reportagem foi produzida por estagiários da Redação Multimídia da Universidade Metodista de São Paulo

Autor: Victor Augusto

Fonte: Rudge Ramos Online/Metodista