Mercado editorial ainda prioriza homens

METODISTA

Mercado editorial  ainda prioriza homens

Apesar de alguns dos livros mais vendidos dos últimos anos terem sido escritos por autoras, o mercado ainda se mostra muito hostil para as mulheres. Ser uma escritora no meio literário significa não apenas ter que passar pelas dificuldades previsíveis de todos aqueles que dedicam a vida à escrita, mas também questões como o machismo, o rótulo e o assédio de cada dia.

Dalila Teles Veras é escritora e fundou, há 25 anos, a livraria e editora Alpharrabio, em Santo André. Criada com o objetivo de ser um espaço, como descrito pela própria Dalila, de vocação cultural, hoje, é uma das editoras que mais difundem a literatura independente no ABC. Já são mais de 200 livros publicados ao longo de sua existência, sendo 18 escritos pela autora-proprietária.

“O Brasil é um país misógino, e não gosta de mulheres, só gosta delas como objetos. As mulheres que têm uma produção intelectual tão boa quanto a masculina sofrem uma série de restrição e preconceitos”. Aliás, sobre o preconceito enfrentado pelas escritoras que tentam entrar no mercado literário, Dalila é enfática: “as mulheres até hoje lutam para que a sua literatura tenha visibilidade”.

Apesar disso, Dalila também compreende que o problema do mercado hoje não é exclusivo ao sexo feminino, e sim a qualquer escritor independente. Para ela, mercado e literatura são coisas diferentes. “Nem sempre quem vai para as editoras é quem se preocupa mais com a literatura”, afirma, questionando o foco exclusivo nas vendas e lucros, e não necessariamente com a arte.

O nicho de pequenas editoras é algo que vem sendo fundamental na difusão de autores e autoras independentes que buscam publicar seus trabalhos. “Se você for pesquisar a fundo, a maioria das publicações femininas que existe hoje, porque houve um avanço no número de publicações femininas, é publicada por editoras independentes. Literatura feminina ainda é marginalizada”, diz a escritora Ana Aparecida, de Ribeirão Pires.

É interessante notar que as mulheres dominam o público leitor do Brasil. Em uma pesquisa feita pelo Instituto Pró-Livro, em 2015, foi revelado que, dentre todas as mulheres do país, cerca de 59% são leitoras, comparado a 51% de homens. Outro dado do estudo é que as mulheres também são as principais influências de outras pessoas que são introduzidas à leitura, com 11% dos entrevistados apontando mães ou representantes do sexo feminino como motivo por terem começado a ler.

Texto: Mateus Murosaki

Fonte: Metodista