Maioria dos jovens se interessa por política

Processo de impeachment e nomeação do ex-presidente Lula como ministro são momentos citados por estudantes

Em maio de 1968, aconteceu um dos grandes protestos estudantis na França. Os jovens daquela época tomaram as ruas para pedir reformas no sistema educacional. Hoje, também há uma grande mobilização entre os estudantes brasileiros. Segundo o Cetic (Centro de Estudos sobre Tecnologias da Informação e da Comunicação), 75% dos jovens entre 16 e 24 anos que entram na internet diariamente estão interessados em política. Mas não da forma que é mostrada na televisão.

O estudante Felipe Cerqueira afirma que acompanha as notícias todos os dias, tanto nas redes sociais como em revistas “com viés de esquerda, como a Piauí”. O estudante também disse que lê as “revistas de direita, como a Exame”.

A pesquisa Jovens Eleitores: consciência e participação política, realizada pelo Instituto Cidadania, apontou que 90% dos estudantes entre 15 e 17 anos acompanha fatos políticos por meio da mídia, mais especificamente pela televisão, jornais, revistas e rádio.

Entretanto, o estudante Joel Teixeira acredita que o bombardeio de informações pode prejudicar a formação de opinião dos jovens. “Uma hora, o [ex-presidente] Lula era ministro. Depois de 50 minutos, não era mais. Isso acaba enchendo a cabeça de todo mundo. Não é bom”, relembrou o estudante do caso em que Lula foi nomeado para chefiar o Ministério da Casa Civil, pela então presidente Dilma Rousseff. Teixeira ainda afirmou que acompanha o noticiário político durante a noite, quando os fatos já se desenrolaram.

Polarização

As opiniões divididas sobre o governo criaram um clima de instabilidade e rivalidade entre os brasileiros. Na opinião do estudante Gustavo Geraldo, essa polarização criou “um pensamento muito maniqueísta entre o certo e o errado”. “Não há mais o meio termo. Ou você é governista, ou você não é.”

Com o crescente número de jovens se envolvendo com política, o teor das discussões em casa também aumentou. Pais e filhos passaram a discutir sobre o assunto. O estudante Felipe Cerqueira já discutiu com a mãe por causa de opiniões divergentes sobre o processo de impeachment da então presidente Dilma. “Houve um debate, mas não foi tão significativo. Ela não conseguiu mudar minha opinião, e eu não consegui mudar a dela.”

Cerqueira afirmou que a mãe só passou a enxergar o processo de impeachment como golpe após o vazamento de áudio de Romero Jucá, no qual Jucá afirmava ao ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado que seria possível diminuir os efeitos da Operação Lava-Jato se o então vice-presidente Michel Temer entrasse no lugar de Dilma. 

*Esta reportagem foi produzida por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo

Fonte: Metodista