Liga de futebol amador de SBC tem 100 clubes filiados

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A Liga de Futebol Amador de São Bernardo do Campo (Liga SBC), que completou 70 anos no dia 31 de janeiro de 2017, é considerada a maior do Estado de São Paulo, pois abriga 22 times em cada uma das quatro categorias.  Para o secretário geral da Liga SBC, Claudinei Alves, o título de maior do Estado se deve a alguns diferenciais, como a existência de um tribunal próprio, sede própria e principalmente a organização. “O objetivo principal da liga é envolver todos, independentemente de raça ou crença. E também trazer momentos de descontração para toda a cidade.”

A Liga SBC existe desde 1947 e possui cerca de 100 clubes filiados, que disputam torneios nas categorias Principal (divisão especial, primeira divisão, segunda divisão e terceira divisão), Veteraníssimo (jogadores com mais de 50 anos), Master (para atletas acima de 40 anos) e Juniores (com jovens entre 17 e 20 anos). Em 2017, somente a categoria Principal iniciou as competições com a divisão especial. A categoria Veteraníssimo terá início no dia 6 de maio. As demais estão previstas para começar no segundo semestre deste ano, mas não possuem uma data específica.

Todas as competições são vinculadas à Uniligas, um sistema unificado que engloba todos as competições de futebol amador das sete cidades do ABC. O vencedor da categoria principal em São Bernardo disputa uma espécie de “Liga dos campeões”, que ocorre no segundo semestre. Nesta competição, todos os campeões das ligas amadoras dos outros municípios do ABC se enfrentam pelo título do torneio.

A estrutura da liga conta com o apoio da Prefeitura de São Bernardo, que cede os campos e faz um repasse voltado para a arbitragem e custos adicionais. Além disso, a liga é afiliada à Federação Paulista de Futebol (FPF), que dá o suporte em casos de punição aos atletas e fornece a segurança nos estádios. Outro diferencial da liga amadora é um tribunal próprio que julga os atletas. Para se inscrever na competição é necessário que o clube pague uma taxa de R$ 1.300.

O campeonato abriga até atletas profissionais de outros estados que veem uma oportunidade na várzea do ABC. “A maioria desses jogadores param [o profissional] para vir jogar aqui na várzea e acabam recebendo um salário duas ou três vezes maior”, afirma Erinaldo Rodrigues dos Santos, treinador do Esporte Clube DER há cinco anos. Para o técnico, o jogador profissional não é valorizado em muitos lugares do Brasil, principalmente no interior de São Paulo e na região Nordeste, onde os profissionais chegam a receber apenas R$ 500 por mês.
Contudo, é muito difícil viver apenas do futebol de várzea. Para adquirir uma renda considerável nesse meio, é necessário que o atleta atue em pelo menos duas equipes. Como é o caso do jogador Henrique Rodrigues de Oliveira, 30, volante do Esporte Clube DER. Oliveira está no futebol de várzea há 10 anos e, além da equipe de São Bernardo, precisa atuar em mais dois clubes de várzea para poder se manter. “Vivo do futebol. Consigo conciliar, uns jogos são de sábado e outros no domingo.  Durante a semana treino forte na academia.” Henrique atua também no “Favela” do Heliópolis e no “Brasília” do Jardim São Luiz.

No entanto, o perfil padrão dos atletas da Liga SBC é o do profissional de outras áreas que têm o futebol como uma segunda atividade. Um exemplo é o de Celso da Silva Matos, 31, atleta do Nacional da Vila Vivaldi. Matos começou na várzea aos 15 anos de idade e conta que utiliza o futebol amador como mais uma forma de renda. Além do futebol, Celso trabalha em marketing de rede na empresa Hinode.

Sem salário
Apesar de muitos atletas receberem para jogar na várzea, nem todos os clubes amadores vinculados à liga proporcionam aos jogadores uma remuneração. Em divisões inferiores da categoria principal da Liga SBC, são outras as condições encontradas para os atletas. Como é o caso de Aureliano Nilo de Oliveira, 37, também conhecido como “Lero” pelos companheiros de equipe. Ele é jogador do S.A.E Jardim Ipê, que disputa a primeira divisão da categoria Principal da Liga SBC, uma abaixo da divisão especial.

“Lero” atua no futebol amador há 22 anos e nunca recebeu para jogar. Ele também trabalha como pintor e possui um bar que serve para ele obter renda. Sem receber, Aureliano revelou os motivos que o levam a continuar atuando nos campos. “Tenho amor pelo futebol e pela amizade. É um momento de reencontrar os amigos.”

 

 AUTOR: Rodrigo Monteiro 
FONTE: Metodista