A ira e a urna

Tudo indica que caminhamos para que em 2018 os eleitores façam escolhas movidos pela raiva dos políticos atuais e não pela esperança em novos políticos. Lamentavelmente, a ira é uma má conselheira e o resultado poderá ser trágico.

Nossa maior revolta atualmente decorre da corrupção e das mordomias. A raiva será ampliada se o próximo presidente não eliminar privilégios de todos os poderes, assim como as benesses concedidas com recursos públicos ao setor privado.

O novo governo, eleito pela ira, deverá cumprir tudo que prometer durante a campanha. A população não aceitará novo estelionato eleitoral. Os eleitores com ira não ouvem a verdade, mas não perdoarão quando souberem da mentira que foi usada para enganá-los.

Ao lado da corrupção e do estelionato, a violência urbana é das maiores causadoras da revolta dos eleitores. Muitos vão acreditar nos candidatos que dizem ser contra políticos e bandidos. Mas diante dos resultados inesperados, o eleitor terá em mãos um coquetel incendiário formado por frustração e ira.

A solução para esse risco é termos candidatos responsáveis e comprometidos com a verdade, que digam ao povo que os próximos anos exigirão sacrifícios em nome do país. Que não há futuro para ninguém se o Brasil for mal e que para ele ir bem será preciso trabalho e compreensão de todos.

Com proposição de leis, decretos, ações explicitadas na campanha, o candidato do programa sério, responsável e patriótico pode perder a eleição, mas se ganhar plebiscitariamente, o novo presidente terá força para executar o programa referendado pelo povo.

Cristovam Buarque é senador pelo PPS-DF e professor emérito da Universidade de Brasília (UnB).